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Coluna

OS CULPADOS

Não sou daqueles que acha que o Bahia “voltou ao lugar que nunca deveria ter saído”. Da forma como caiu, era pra ter descido mesmo. Todo esse sofrimento, momentos de tristeza profunda, serviu de aprendizado – assim espero – para objetivos maiores no futuro. Só não precisava ter durado tanto! Não é mau humor de minha parte, ainda mais em um momento como esse, é apenas uma questão de justiça aos incompetentes que proporcionaram todo esse desgosto de oito anos. Acredito, sim, que o tricolor está no seu devido lugar. São coisas diferentes. Com esse início, nem parece que estou, pessoalmente e profissionalmente, em estado de graça com esse acesso.

 

Vamos ao título do artigo. Acho que essa hora vale à pena tentar listar os culpados pelo resultado favorável. Nesse caso, os elogios são mais do que justos. Começo pelos jogadores. Não sei se a diretoria planejou o elenco desta forma, com jogadores responsáveis e profissionais. É quase impossível conseguir formar um grupo com, no máximo, duas ou três “laranjas podres”. O Bahia conseguiu. Três, para mim, são símbolos. A dedicação de Morais, mesmo com a vida ganha, é de se louvar. Não é fácil isso acontecer. O achado foi Fábio Bahia. Formiguinha, o baiano de Senhor do Bonfim, deu outra cara ao meio de campo. Taticamente fundamental, o volante mostra segurança e tranquilidade de se impressionar.


 
O terceiro é Ávine. Deixei um parágrafo inteiro para falar sobre esse garoto – sim, o lateral tem apenas 22 anos. Lembro de uma atuação, com o perdão da palavra, ridícula contra o Ipatinga em 2006. Com 17 anos na época, era uma esperança de um diferencial técnico, mas acabou sucumbindo ao pior time da história tricolor. Acrescente ai, a falta de estrutura psicológica e as más influências, e a promessa virou, até merecidamente, um perseguido pela torcida. No entanto, o talento estava lá. Faltava largar as barcas, colocar a cabeça no lugar, se dedicar em consertar as falhas e construir um caminho, que promete ser brilhante. A maturidade demorou, mas chegou em boa hora a Ávine. O melhor, é que ainda tem muito a evoluir e está prestes a renovar seu contrato até 2013. Promessa de um jogador tricolor disputando Bola de Prata.

 

Para não ser injusto, citarei outros jogadores que, para mim, foram peças fundamentais no acesso. Os três goleiros (Fernando, Renê e Omar), no revezamento, foram sempre seguros e, não me lembro do Bahia ter perdido nenhum jogo por culpa dos arqueiros. Muito pelo contrário. Jancarlos chegou em um momento crítico da lateral direita e, com experiência e categoria, deu uma vida ao setor e facilitou a vida de Márcio Araújo, que conseguiu dar padrão de jogo em cima da segurança do jogador. Pena que se machucou gravemente. O que falar dos atacantes? Em momentos distintos, Rodrigo Grahl, Jael e Adriano, souberam ser eficientes e decisivos. Muitos falam que Grahl só faz gol de pênalti, como se fosse fácil... Jael não foi tão “Cruel” quanto poderia, mas garantiu triunfos fundamentos como contra Paraná, América-MG e Portuguesa. “Michael Jackson” foi um caso a parte. Chegou sem moral nenhuma e virou personagem principal do acesso. Surpreendeu a todos! Como o espaço é pequeno, vou dar sequência a esse texto nos próximos dias. Existem outros culpados e, claro, alertas para o que vem por ai. 

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