RICARDO E RENATO
A demissão de Ricardo Silva já era prevista, porque nenhum outro treinador viveu tanto sob pressão como este rapaz; ganhou o tetra estadual, foi vice da Copa do Brasil, acumulou um apreciável somotário de pontos, mas sempre que o time não correspondeu foi questionado pela torcida, por certos cartolas e boa parte da imprensa. Renato Gaúcho está deixando o Bahia para ir dirigir o Grêmio, onde se consagrou como craque e que conta com o mais decidido apoio do presidente. Nada melhor do que encontrar uma chance dessas no momento que maioria absoluta da torcida entende que ainda não se conseguiu um padrão de jogo para o Bahia.
Acho que o Vitória, salvo uma gratíssima surpresa, perde mais do que o Tricolor. Com todo respeito ao novo técnico que chega, Toninho Cecílio, seu currículo é bem inferior ao de Ricardo. Terinava um time de menor expressão, sem as exigências da platéia rubro-negra, nunca conquistou qualquer tipo de título, o único referencial que traz é ter trabalhado em São Paulo, atualmente maior centro do futebol brasileiro. E, também, o aval do presidente Alexi Portela, que tem o mérito inquestionável de fazer a melhor administração dos últimos tempos na Toca do Leão. E acrescento: é bem provável que o gestor de futebol, Carlito Arini, deva ter martelado tanto no ouvido do presidente, que ele acabou se convencendo que o Cecílio pode resolver o problema.
A saída de Renato é uma solução para ele, que já não conta com as graças da torcida tricolor e do próprio clube que, assim, vai procurar um novo técnico que possa dar uma fisionomia de time que realmente chegue entre os quatro da Série B e conquiste o direito de disputar a Série A, porque o grupo de jogadores está entre os melhores de sua divisão, mas o esquema é confuso e sem fluidez. O que se espera é que não se traga um profissional desconhecido e sem a devida experiência para mudar o presente panorama.
No lugar de Ricardo, que ganhou férias de 30 dias para digerir o duro golpe e voltar como auxiliar, eu só voltaria se o novo técnico tivesse o calibre de um Tite, de um Geninho, de um Silas ou até mesmo de um Toninho Cerezo. Mas ser auxiliar de Cecílio, verdadeira incógnita, nem pensar. E no lugar de Renato Gaúcho, que passa a ter um salário maior do que R$ 200 mil e a treinar um time de ponta do futebol sul-americano, ia correndo desde a semana passada. Para meu alívio e alívio da torcida.
