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Coluna

O ERRADO QUE DEU CERTO

No meu último texto fiz o pré-jogo de América-MG x Bahia analisando algumas das possibilidades de escalação passadas por Márcio Araújo. Nesse artigo, vou fazer o pós-jogo. Antes de falar detalhadamente do ocorrido durante os 90 minutos, vou usar, mais uma vez, um clichê boleiro. Por sinal, já o havia utilizado outras vezes, se não me engano. Pois então, no futebol, quase sempre, o errado dá certo e o certo dá errado. Foi o que aconteceu na partida que praticamente garantiu o retorno tricolor a Primeira Divisão. O errado que deu certo.


Fui pego de surpresa com a entrada de Ananias no lugar de Arilton. Antes de a bola rolar, imaginei que haveria alguma mudança de posicionamento. Era certo que o losango seria desfeito ou Marcone ou Fábio Bahia ocupariam a lateral direita. Ledo engano. O esquema tático foi mantido e Marcone foi deslocado ao lado esquerdo, para fazer a função de Hélder, enquanto Leandro ficou centralizado. Com essa formação, aconteceu o que eu previ ontem – não é querer ser gato mestre, mas era óbvio que não seria diferente. O time conseguiu o resultado com muita raça e, no início, fazendo uma marcação sob pressão. Arranjou um contra-ataque e matou o jogo.


Poderia ter melhorado a situação o cartão vermelho recebido pelo goleiro americano. Na volta do intervalo, Araújo falou que o time precisaria manter a posse de bola. No entanto, como fazer isso com o meio de campo que basicamente só marca? Márcio deveria ter sido minimamente ousado, e feito alguma alteração. Poderia ter invertido a posição de Marcone com Ananias, que estava perdido na lateral. Não o fez e, mesmo com um jogador a mais, foi ridiculamente pressionado por uma equipe limitada, que, “só tinha”, muita vontade. O pior que isso foi uma opção do próprio Bahia. Não venham me falar em méritos do América: o tricolor que escolheu ficar acuado.


Porém, como reza a mediocridade do futebol atual, o que importa é o resultado. Nesse caso, deixo de lado meu romantismo e comemoro os três pontos. Mas só por um instante. Não esquecerei o sufoco levado desnecessariamente por covardia. E, mesmo com a barreira na frente da área, o Coelho quase marcou algumas vezes em chutes da intermediária. Faltou pontaria. Isso mostra, que a retranca não foi tão eficiente, apenas teve pela frente um time sem nenhum diferencial técnico. Contudo, deixo agora meu mau humor de lado e exalto a conquista. O Bahia, finalmente, retorna ao seu ambiente natural. Só uma catástrofe no estilo do filme “O dia depois de amanhã”, para o tricolor perder sua vaga. “O Esquadrão voltou!”

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