MISTÉRIOS DE UMA DECISÃO
Hoje resolvi fazer um artigo diferente. Aproveitando a decisão de logo mais entre América-MG e Bahia, tive a idéia de fazer uma espécie de pré-jogo, analisando todas as possibilidades de escalação passadas por Márcio Araújo no único treinamento preparatório para o duelo na Arena do Jacaré. O esquema ficou em aberto com a suspensão de Hélder. Apesar de a matemática ainda não confirmar, caso o tricolor vença, em minha opinião, estará garantido na Primeira Divisão. Não acredito que Sport ou Portuguesa vençam três dos quatro jogos restantes.
Vamos para a análise. A primeira opção testada e, pelo que eu conheço de Araújo, provavelmente utilizada, será à entrada de Leandro. Entendo a intenção do treinador de dar um poder maior de marcação ao meio de campo, para deixar Ávine, que vem sendo bem marcado nos últimos jogos, com liberdade total. Entender não é concordar. Tem sido fácil para os adversários anularem o sistema desde a saída de Jancarlos. O jogo se concentra todo pelo lado esquerdo. Sem espaços para correr, Ávine não consegue ser decisivo. Com Leandro, o time não deixará de ser torto – muito pelo contrário - e ficará com a criatividade ainda mais limitada. Na raça, na vontade, marcando a saída de bola, pode dar certo, mas está longe de ser o ideal.
As outras opções testadas para a vaga de Hélder são de meias. Se quiser manter o esquema um pouco mais próximo, a escolha deveria ser Ananias. Sempre que o losango tricolor atuou contra uma equipe no sistema com três zagueiros (como joga o América-MG), se deu bem. Márcio deveria lembrar-se disso. A marcação e a saída nos contra-ataques encaixam direitinho contra o 3.5.2. Ananias não é alto nem técnico como Hélder, mas tem mais velocidade, habilidade e raça. É um cara dedicado, que cumpriria bem a função de volante/meia pela esquerda. Seria a minha escolha. No entanto, ainda existem mais duas possibilidades trabalhadas. Felipe tem características semelhantes à de Morais. Duvido que Márcio o utilize de primeira contra o América. É inexperiente e jogou apenas cinco minutos nessa Série B. Qualidade a parte, seria uma temeridade.
Deixei Rogerinho por último pelos motivos que envolvem sua escolha. Taticamente, seria a opção mais radical. O losango iria para o espaço, mas, em compensação, se estiver a fim, poderia fazer a diferença. Chuta de fora da área, bate bem falta e é muito habilidoso. Em um dia bom, isso supre sua total deficiência tática. O problema dele é outro. Enquanto a maioria absoluta do elenco é dedicação total na busca pelo acesso, ele se mostra, muitas vezes, indiferente. Isso incomoda. Sinceramente, desde o episódio dos gestos obscenos, que não vejo clima para Rogerinho no Bahia. Espero que, nessa reta final, coloque a cabeça no lugar e pense no futuro. No mais, é ter atenção os 90 minutos. Cochilos como contra o Brasiliense não podem se repetir. Os veteranos Irênio, Euller e Fábio Júnior – artilheiro isolado da Série B - andam aprontando, mas a principal força mineira está nos laterais Marcos Rocha e Rodrigo. Respeito, mas não me assusto. Acredito e muito no Bahia.
