A NOBREZA DA REFLEXÃO
Qualquer sujeito de bom senso, que não tenha a infeliz pretensão de dono de verdades, tem que refletir um mínimo possível e revelar que Ricardo Silva tem grandes méritos pela atual performance do Vitória. Independentemente de ganhar o clássico e o tetra, na disputa com o Bahia e de seguir em frente na Copa do Brasil, após o difícil jogo da próxima quarta-feira, em São Januário, contra o mesmo Vasco, que ele meteu 2x0 aqui no Barradão, voltando a jogar com muita determinação e garra, mesmo com os três importantes desfalques de Nino, Wallace e Ramon Menezes.
Nenhum outro treinador experiente, como foram os recentes casos de Vagner Mancini e Paulo César Carpegiani, chegou a números tão expressivos: em 28 jogos (Baiano e Copa do Brasil), são 62 pontos conquistados em 84 disputados. São 19 vitórias, cinco empates e quatro derrotas, um aproveitamento global de 73,8%!
Um desses torcedores implacáveis, que no meu interior são chamados de chatos-de-galocha, contraargumentou que no campeonato estadual essas coisas são possíveis, só que se esqueceu que Ricardo e o Vitória disputam uma outra competição tão importante quanto o Campeonato Brasileiro e o aproveitamento é ainda melhor: são setre jogos na CdoB, com cinco vitórias (1x0 e 5x0 Náutico, 4x0 Corinthian/AL, 4x0 Goiás e 2x0 Vasco), uma única derrota (1x3 Corinthians/AL), um único empate (2x2 Goiás). E nesta competição, está invicto dentro de seus domínios, não levou um gol sequer em quatro jogos, marcou 15, 100% de aproveitamento em seu estádio, 76,2% em todos os seus jogos.
O time, contra o Vasco, teve os ingredientes que todo torcedor gosta: mordeu o tempo todo, se levou algum sufoco devolveu em dobro, fez dois gols, criou chances para outros tantos, teve peças importantes como o goleiro Viáfara, o lateral Egídio, o zagueiro Renier, Uéliton, Bida, Júnior e Renato, com o centroavante não fazendo gols, mas fuçando o tempo todo no cangote dos dois zagueiros cruzmaltinos. Foi um time brigador, cheio de brios, que nem parece andar tão extenuado, com tantos jogos decisivos quartas e domingos, por duas competições importantes em sua vida.
Se no início eu também achava que Ricardo estava encontrando dificuldades para dar um esquema ao time, agora, depois de refletir e me esbarrar diante de tanta evidência, chegou a hora da nobreza de refazer conceitos e dizer, sem pensar no que possa acontecer nestes dois próximos jogos, que o atual treinador do Vitória, em sua simplicidade de gente que veio da base do clube, faz um trabalho merecedor de todos os elogios. E acima de qualquer outra coisa, muito repeito da imprensa e da torcida.
