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Coluna

O SENTIDO DO DESCRÉDITO

Desde pequeno a gente aprende umas máximas que, na verdade, acabam sendo exemplos pela vida afora: se a vida lhe der um limão faça  uma limonada, tire proveito de suas fraquezas, o fracasso é a mãe do sucesso, só merece bons frutos quem trabalha exaustivamente o campo, o forte é sempre o que soube ser flexível... uma série de provérbios que herdamos de nossos pais e avós, mas que, na verdade, são pensamentos de grandes filósofos antigos.

 

O Vitória se insere em todos estes sentimentos – tem que pegar a descrença e transformá-la em recuperação, pois o maior vencedor de títulos deste limiar de Século, de repente caiu em descrédito com a sua própria torcida. Tenho ouvido e lido, em tudo que é veículo de comunicação, uma sentença de morte proferida por todos os rubro-negros de todos os matizes. São raríssimos o que não tripudiam, qualificando-o com expressões de baixo nível, diante de alguns tropeços no campeonato – e porque ainda não apresentou o esquema dos sonhos deles. Nem os três últimos sucessossem levar gols, uma goleada em casa (4x0 Atlético), dois bons resultados fora (1x0 Náutico, Copa do Brasil, e 3x0 Conquista, estadual) conseguiram aplacar a fúria da maioria. Ramon está velho, os zagueiros não prestam mais, o técnico não sabe escalar, tudo, tudo mesmo está errado.

 

Concordo que o Vitória tenha que contratar reforços de bom nível técnico para o Campeonato Brasileiro, mas há times de muito mais tradição no país inteiro que, com jogadores caríssimos, fracassam em seus campeonatos – e nem por isso tudo esteja perdido. O Inter, que era tido até a metade do ano passado como o melhor time do Brasil não acerta o pé; o Vasco, o Palmeiras e o Coirinthians desapontam; o São Paulo é inconstante. Já o Santos, que só reforçou com a volta de Robinho, formou um time de meninos e está encando o país – e ainda assim é perigoso afirmar que será campeão paulista, da Copa do Brasil e do mundo!
Acho que o Vitória tem que tirar proveito destas críticas, não correndo para se endividar, contratando jogadores de altíssimos salários para, depois, andar às voltas com a inadimplência e os tribunais trabalhistas. Tem, sim, que manter a calma, contrando com critério e dentro das reais possibilidades do clube. Aliás, só o salário de Robinho é toda a folha do Vitória.

 

Eu já passei por fases semelhantes e ainda estou vivo, porque consegui superar todos os temores e fragilidades. Saber ser flexível, buscar soluções sem lamentações, entender de que só se exige de quem pode alcançar. E neste caso, o Leão esá diante de uma ótima chance de mostrar que o seu descédito ainda tem seus limites.

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