ESTRATÉGIA DO RECUO
Outro dia, li num desses artigos de um psicólogo que o medo (ou receio?) é um sentimento que gera senso de proteção e recolhimento. Leva a comportamentos tais como fugir, parar ou recuar. Creio que se enquadra perfeitamente na atitude do presidente do Vitória, Alexi Portela, sobre a permanência de Ricardo Silva no comando do time e a não vinda de Paulo César Carpegiani.
Não se trata de fugir nem de parar, mas, de forma muito explícita, o presidente preferiu recuar, diante de tantas críticas contra a volta de PCC, ao qual nenhum dos nós leigos em táticas de futebol tem o direito de desmerecer como homem de prestígio, que até já treinou Seleções importantes, mas que, na sua recente passagem pela Toca andou construindo mais um capítulo de sua pior qualidade como treinador, que é a de fazer, jogo sobre jogo, tantas experiências inusitadas, que acabou ganhando o título de Professor Pardal. Lembram-se daquele Vasco 4x0 Vitória, em São Januário? Apodi foi centro-avante, Uéliton lateral e Vanderson meia de aproximação! E depois saiu daqui um tanto intrigado com alguns jogadores, porque reiteradas vezes andou dizendo, principalmente em entrevistas na tv fechada (que hoje é aberta para milhões de assinantes), que o Vitória tinha um grupo fraco e sem futuro.
Não pensem que acho que Ricardo Silva esteja fazendo um excelente trabalho. Os números (70,8% de aproveitamento, 34 pontos em 48 disputados) lhe dão uma boa posição, mas na prática ainda deve um esquema de jogo mais apropriado para um time de primeira divisão e favorito ao título estadual, que parece estar se esvaindo nas apresentações sem brilho. Mas seria injusto, logo depois do seu melhoir resultado na Copa do Brasil (1x0 sobre o Náutico, lá no Recife), colocar o rapaz pra fora como cão danado, sem sequer lhe dar uma satisfação de gente civilizada – e essa qualidade todos nós admiramos muito no presidente Portela.
Outra coisa: nenhum repórter andou inventando nada, porque havia mesmo a especulação (e até entendimentos) iniciais para a volta de Carpegiani. Mas o presidente aborveu as críticas, pensou bem e recuou – e neste caso recuar me parece uma estratégia muito inteligente. Mas já sabemos, com todos os prós e contras, que amanhã é outro dia.
Sobre a rodada do final de semana, ewspera-se que o Bahia siga bem no campeonato, que o Vitória possa se recuperar e que o interior mostre, de uma vez por todas, quem realmente é o bicho-papão, porque apenas o Feirense parece não ter grandes condições de chegar à nova fase.
