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Coluna

LOSANGO

Alguém deve ter feito antes, mas lembro desse esquema tático chamado de losango sendo lançado por Wanderlei Luxemburgo no final da década de 1990, no Corinthians e na Seleção Brasileira. Consiste em jogar com um volante e um meia atacante centralizados e dois volantes marcadores/armadores abertos, dando suporte a subida dos laterais. Na época, o egocêntrico treinador escalava o time paulista com Rincón (centro na cabeça de área), Vampeta (pela direita), Ricardinho (pela esquerda) e Marcelinho Carioca (centro encostando-se aos atacantes). No Brasil, Emerson, Vampeta, Zé Roberto e Rivaldo, respectivamente. Sempre com dois atacantes à frente.

 

Por que esse interessante esquema tático me veio à cabeça? Simples, o Bahia de Márcio Araújo vem atuando nessa formação. Engraçado, como bem me lembrou meu amigo Bruno Queiroz, o espanhol, o Bahia jogou dessa forma em 2004 com Vadão, em um ano parecido com o atual – espero eu, com final diferente. Neto Apolônio (central), Henrique (direita), Rodriguinho (esquerda) e Robert (meia-atacante). Apesar do resultado não ter sido satisfatório – culpa do elenco fraco e reduzido -, o sistema funcionou e deu ao time o tão procurado equilíbrio que falam os “professores”. O termo é clichê, mas na prática é isso mesmo que acontece. O meio de campo fica preenchido, os laterais têm liberdade e proteção, e os atacantes não ficam isolados.

 

A gritaria contra o esquema de três volantes utilizados por Araújo é grande. Eu, por exemplo, não largo a corneta. No entanto, analisando exclusivamente o posicionamento e a forma de jogar de Jancarlos e Ávine, começo a concordar em partes. Na verdade, concordo com o sistema, mas não com os jogadores utilizados. Um para ser mais específico. Márcio tem armado o time com Bruno Octávio (central), Fábio Bahia (direita), Hélder (esquerda) e Morais (meia atacante). O tal do equilíbrio parece ter sido encontrado, mas continua faltando alguma coisa. Para mim, poder de fogo! Acredito que Morais ou Ananias podem fazer perfeitamente a função exercida por Hélder, que marca praticamente no mesmo nível meia boca dos dois, mas não tem a mesma capacidade ofensiva.

 

Contra o São Caetano o esquema funcionou por 55 minutos. Depois do gol dos paulistas, Fábio Bahia e Hélder se perderam e ficavam sempre no meio do caminho para atacar e defender. Nesse momento, faltou um pouco de ousadia para Araújo. Dava para manter o sistema com Rogerinho no lugar de um dos dois, já que Vander, apesar de não estar em uma noite feliz, poderia se posicionar mais ou menos como o volante pela direita. Bastava segurar um pouco mais o marcador do outro lado, de preferência deslocando Bahia. Márcio fez a escolha mais simples e manteve a postura. Apesar do meu questionamento, não acho que ele fez errado. Não fosse a bobagem de Jael, o tricolor teria conquistado o ponto sem passar pelo sufoco que passou. No final das contas, o jogador é quem resolve. Valeu, Fernando!

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