MUDANÇA DE COMPORTAMENTO
Não, eu não estou querendo falar sobre o álbum musical gravado pela banda brasileira de rock Ira!, lançado em 1985. Eu quero falar de certo jovem treinador, que até agora tem suas atividades delimitadas entre São Januário e Laranjeiras, no Rio, porque só trabalhou, em se tratando de grandes clubes, no Vasco e no Fluminense. Não se lhe pode negar vários momentos de sucesso, mas, também, sua trajetória foi entrecortada por episódios de rebeldia e desacertos. Aliás, foi assim durante toda a sua brilhante carreira com a bola nos pés, irreverente e rebelde em suas atitudes, sendo um dos melhores atacantes do país, aí sim trabalhando em diversos clubes de ponta e conquistando quase todos os títulos que disputou.
Renato Gaúcho, que nas curvas dos anos 80 disse que a Bahia era terra de índio, porque não foi recebido com pompas e loas em jogo da Seleção, chegou nesta quinta-feira, 17, para ver se dar um jeito no Bahia, que não ganha título há quase uma década e que se vê gravitando em zonas inferiores do futebol. Chegou no aeroporto, bonitão e jovial como sempre, óculos escuros de celebridade, paletó envelopado sobre os ombros, cara de poucos amigos, perseguido pelos repórteres e com a expressão sisuda de que “agora não, só falo na hora da apresentação”.
Confesso que fiquei apreensivo, porque é hábito que, ao chegar a casos semelhantes, em qualquer praça esportiva deste país, jogadores e técnicos se demorem em entrevistas, principalmente quando no microfone acionado aparece a logomarca da Globo. Como a atitude era inusitada, corri para o computador e naveguei em tudo que foi portal. Galáticos, Seligabocão, Abolaénossa, iBahia, Uol, Folha, Globo.com e Ig . Queria saber se o Gaúcho já estava provocando um novo bafafá. Surpreendentemente, nada.
No início da noite, na entrevista coletiva, na nova loja do Bahia, ouvi um Renato consciente do que representa a sua vinda para o Tricolor, de respostas firmes e equilibradas, até pedindo desculpas da sua rebeldia dos anos 80, mostrando que não vai privilegiar nenhum órgão de imprensa, porque reconhece que os tempos mudaram e o comportamento tem que ser de quem amadureceu, de profissional competente e adulto, que tem a obrigação de determinar, nas palavras, gestos e trabalho, conceitos universais, sem bairrismo, sem arrogância ou irreverência, mas com seriedade, respeito e ciência.
Parabéns, RG, o mundo vai ser bem melhor quando todos nós soubermos corrigir desníveis e não ter medo de mudar o nosso comportamento. E você deixou a impressão que mudou, e mudou para melhor.
