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Coluna

ALÍVIO E PREOCUPAÇÃO

O que mais tranquiliza na boa campanha do Vitória é que dirigentes, jogadores e torcedores sempre tiveram a consciência da real capacidade do time. Há uns fanáticos mais atrevidos que até exigem o título nacional ainda nesta temporada, mas o coerente é mesmo o que a grande maioria tem cultivado: manter-se inicialmente na divisão de elite, beliscar uma vaga para a Copa Sul-Americana e, quem sabe, até chegar entre os da Taça Libertadores. Mas sem arroubos de grandeza, superestimando qualidades, sonhando acima dos sonos reais de um clube emergente.


Já o Bahia sempre nos preocupou, porque, mesmo atravessando uma das piores crises de sua história, entra ano e sai ano, sem um projeto de vida adequado, dirigentes prometem títulos, cai técnico e entra técnico explicando-se da forma mais absurda possível, jogadores que não traduzem em campo tudo que prometem, torcedores que até justificam os insucessos com as crendices de que é o azar ou, até mesmo, que foi porque este ou aquele cronista foi escalado pela sua empresa para fazer a cobertura do jogo. Puro sofisma, grande erro de compreensão de uma má fase que somente a desorganização, as contratações errôneas e a falta de consciência de limitação podem explicar. 


O Vitória não jogou bem contra o Náutico, teve os seus problemas, mas quem entrou no segundo tempo (Leandrão e Jackson) deu conta do recado e, depois, titulares e reservas se abraçaram, comemorando não apenas o triunfo, mas ao fato de que todo grupo é integrante da mesma filosofia de trabalho. O Bahia, não, voltou a se apequenar contra o Bragantino, jogou todo um primeiro tempo com enorme displicência, e as justificativas foram as já habitualmente decoradas: culparam a tal de bola parada, quando eles próprios usaram e abusaram de cobrar faltas sem a mínima direção para o gol.


Mas ainda acho que nem tudo está perdido, porque desde que o campeonato chegou na décima rodada, tive a oportunidade de advertir que era triste ver o Bahia, que entrou como um dos favoritos à subida de divisão, sequer frequentar o G-4. Era um mau prenúncio que, agora, se confirma. Só que ainda há chances, com o empenho de todos – e muito mais a ajuda da imensa torcida -, de ganhar os pontos necessários para se manter entre os da Série B, porque cair na Terceirona é realmente muito doloroso.


 Já o Vitória, que me parece, com 44 pontos ganhos, completamente afastado de qualquer possibilidade de degola, tem que manter a união, não se perturbar com algum resultado decepcionante, porque tem sido isso que os dirigentes rubro-negros têm exercitado com muito sucesso. Por isso, saiu logo da terceira, passou com louvor pela segunda e se mantém entre os 10 melhores da elite.


Quando vejo torcedores mais afoitos pedindo contratações de jogadores de Seleção até acho graça. Parece que eles perdem a bússola das coisas, sem mais nem menos. O Vitória é um clube de receita média, tem que ser administrado com os pés no chão, sem loucuras e devaneios.


E tanto tricolores quanto rubro-negros têm mais é que investir na formação de talentos, garimpar jogadores bons pelo interior do Bahia e construir uma história plena de competência administrativa e, naturalmente, de bons frutos que essas atitudes devem trazer.

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