Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

RODADA DE DESAFIOS

Neste sábado, o Bahia vai responder se realmente o que o atravancava era o salário atrasado de seus jogadores – e o Vitória precisa dar um basta a andar ressuscitando cadáveres da zona do rebaixamento. Triunfos sobre o Bragantino e diante do Náutico são fundamentais para tricolores e rubro-negros, uns para saírem logo desta incômoda posição de rebaixável para a Série C e outros para se apressarem na sua briga por uma melhor posição entre os da elite.


Tenho comigo que esse negócio de falta de pagamento em tempo legal tem sido um dos fatores, mas não o determinante de todos os fracassos. Até porque é uma desumanidade a gente ficar conjeturando que o Tricolor só contrata, há quase 10 anos, gente de má índole, que só sabe jogar com o bolso cheio. Eu até concordo que não é nada fácil o cara ir trabalhar com as contas se acumulando, principalmente o artista de bola que é acostumado a restaurantes finos, carros importados e correntões de ouro pendurados por todas as saliências do corpo. Mas jogador de futebol, também, encontra as facilidades que um operário comum não acha: dependura dívidas, arranja empréstimos, descola vales, tem salários bem maiores do que os peões.

 
Houve um tempo, quando não havia esse negócio de o jogador ficar livre após três meses sem ver a cor do capim, que o mesmo Bahia atrasava que era uma festa, mas, como era absoluto entre nós, entrava em campo e metia bronca em todo mundo – e tinha até cronista famoso que fazia gozações contra os adversários que pagavam rios de dinheiro antes de cada jogo e voltavam pra casa com a cara de Zé Mané. Foi assim com o Galícia de Aurélio Viana, o Ipiranga de Humberto Rebouças e o Vitória de Albino Castro.


Então o que está causando esta prolongada depressão do bicampeão brasileiro não é apenas o atraso de salários, mas, sobretudo, a falta de um planejamento de vida, ditada pela imprevidência, que nada mais foi e é uma imperdoável falta de consciência de que os tempos foram mudando, alguns adversários se qualificando, as regras rigorosamente alteradas, não consagrando mais benesses só por causa da tradição e do tamanho da torcida, mas, acima de tudo, premiando o comportamento técnico de cada um, que só pode ser eficiente com trabalho, perseverança e organização.

Já o Vitória, ao qual não se pode negar uma considerável maior dose de organização e previdência, exige-se que ele tenha mais cuidado quando joga contra times que se arrastam em suas competições. Porque o rubro-negro tem devorado gigantes, mas se engasgado com os de péssima campanha. Engole um boi, complica-se com um mosquito. O Leão cumpre boa campanha na Série A, tem sido um time valente, mas é sempre muito coerente não pensar que já ganhou dos timbus pernambucanos. Sabem o que é timbu? É aquala ratazana grande, que lá onde nasci, também chamam de sariguê e que a ciência dos animais o qualifica como gambá. No menos fedorento, lá na Fazenda Saudade, onde vivi meus primeiros anos, meus irmãos mais velhos picavam-lhe fogo e a gente comia assadinho, em deliciosos piqueniques.


 Esse Náutico até que era um time simpático entre nós, mas depois que levou o tal de Carlinhos Bala para os Aflitos, o cabra fala mal de tudo e de todos que vai enfrentar. Precisa, portanto, de uma corrigenda, mas só vale daquelas surras de botar água e sal para curar as feridas, como nos velhos tempos, que menino grande ainda respeitava os pais.


Não nego até que sejam dois jogos difíceis, o daqui e do Bragança Paulista, mas precisamos, por vários motivos e os que eu já falei, de duas belas vitórias neste final de semana.

Compartilhar