CONQUISTAR E ACHAR
O empate do Vitória contra o Santos não foi um achado, mas uma conquista. Tenho insistido em explicar quais são os meus conceitos em se achar ou se conquistar resultados no futebol – e neste caso, o Vitória conquistou um ótimo resultado.
Há duas maneiras de se achar as coisas na vida: uma é na mais pura e simples casualidade, sem esforço e sem luta, na sorte. A outra, até com um pouco de esforço, mas o sujeito não traça metas e, de repente, se depara com o que está procurando. Aliás, este verbo achar pode, ainda, ser depreciativo, porque tem gente e grupos que “se acham”, quer dizer se consideram os melhores, são metidos, cultivam a ilusão de que é superior em algum aspecto. E sempre, como os exemplos andam muito à mostra, cedo ou tarde, acabam quebrando a cara.
Já as coisas conquistadas, não. Só são conseguidas quando se salta obstáculos, quando se transpõe muralhas, porque somente assim se pode chegar ao alvo determinado, ocupando-se o espaço que, muitas vezes, parece até impossível.
O Vitória deste jogo do Pacaembu foi assim: valente, incansável, determinado – e o empate foi fruto dessas virtudes. O Santos dominou? Dominou. O Santos teve mais chances? Teve. Mas o Vitória foi bravo do princípio ao fim – e se concretizado uma daquelas oportunidades que o excelente Ramon Menezes perdeu, teria vencido o jogo e nem por isso Nova Iorque ia ser trocada por Bagdá. Na verdade, aliás, o Santos atacou em massa, mas só teve mesmo três grandes chances de converter; e o Vitória foi bombardeado o tempo todo, mas teve dois contragolpes que quase foram fatais. Lembram-se do jogo contra o Santo André, com um golpe mortal antes do primeiro minuto e domínio absoluto durante todo o restante da luta? Muitos disseram que o Vitória entregou o jogo, eu ainda acho que o Santo André, heroicamente, conquistou o resultado.
Acho até que Vagner Mancini voltou a driblar os que, como eu, leigos desse negócio de treinar futebol, tem um sentimento bem diferente do dele, talvez consorciado com o torcedor: quando não teve Uélinton e Leandro Domingues, dois dos melhores jogadores do campeonato em suas posições, esperava-se que ele metesse o Bida com o Vanderson na marcação, Gláucio e Ramon na criação do meio-campo, Berola e Roger no ataque. Mas ele preferiu começar com Gláucio e Roger atacando, Vanderson, Magal, William e Ramon no ataque. Perdeu logo o Roger lesionado, meteu o Berola, tirou o Berola, deu chances ao desconhecido Gil e ao menino Elqueson. Levou sufoco? Levou.
Mas nenhum de nós, por mais “achado” que se ache, tem o direito de desconhecer que ele acabou atingindo os seus objetivos de um bom resultado diante de 30 mil santistas exigentes em pleno Estádio do Pacaembu.
E que, até agora, caindo duas posições numa rodada, subindo outras duas na seguinte, sempre entre os 10 melhores do maior futebol do mundo, o trabalho de Mancini é bom, seus conceitos merecem respeito e o Vitorinha continua sendo o melhor de todos os times do Nordeste nas duas principais divisões do futebol brasileiro.
