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Coluna

PRIVAVERA CINZENTA

Na primeira noite da Primavera, Bahia e Vitória substituíram a festa da nova estação, sempre simbolizada pelo colorido das flores e pela alegria da renovação, por apresentações decepcionantes, tão nebulosas a ponto de mostrar que não têm futuro em suas competições.


O Vitória, que até vinha de ótimos resultados pelo Brasileirão, com triunfos convincentes contra os poderosos Palmeiras e Internacional, foi tirar uma de gato-mestre em Montevidéu, jogando desvairadamente no ataque, desguarnecido na defesa, com os laterais Apodi e Leandro não marcando ninguém, e a viagem serviu apenas para uma visita solene de estréia no famoso Estádio Centenário, o mais antigo palco de decisão de Copa do Mundo.


A diretoria rubro-negra errou muito quando não inscreveu o meia Ramon Menezes, que seguramente teria orientado dentro de campo um basta a tanta irreverência tática, e Mancini errou dobrado quando orientou o seu time para atacar em massa. O que mais chateia é que o nosso tricampeão até que teve chances de sair com um melhor resultado, mas sua defesa foi manteiga na faca quente e o ataque menino pequeno mascando chicletes. Aí deu tanta moleza lá atrás e mastigou tanto na frente que acabou levando a humilhante goleada de 4 x 1, contra um time que não é excepcional, mas que deu um banho tático. Fechadinho, paciente, atacando velozmente pelos flancos, bola chutada com firmeza para dentro do gol de Viáfara.  


Agora, cabe ao torcedor confiar, ir ao estádio, torcer como um condenado para esperar pelo milagre de 3 x 0 ou quatro gols de diferença, o que minha consciência de cronista que tem de ser imparcial não acredita nem vai fazer propaganda disso. Não é impossível, mas como aquele jogo da Copa do Brasil contra o Vasco da Gama, é uma grande pedreira.


O Bahia empatou com o Ipatinga lá em Minas, por 0 x 0 e o jogo foi tão ruim que a única argumentação que restou para alguns torcedores (e até jornalistas) é que Elton andou perdendo uma ótima chance, mas os mineiros também perderam – e essa a gente já vem proseando desde que a Série B começou. Resultado: o Tricolor, depois dos dois jogos da terça-feira, não saiu do lugar (15º) e ainda pode cair uma casa até sábado.


Parece fato confirmado que o Bahia não sobe mais de divisão, tendo que amargar, ano que vem, mais uma repetência em competição inferior, quando a sua tradição recomenda estar sempre entre os da elite. Há seis anos que os tricolores remam contra a maré, mas isso se dá pela falta de um plano bem definido, sem as façanhas de contratar jogadores desconhecidos ou ex-craques em atividade, quando o certo seria, mesmo tendo que enfrentar os rigores do fanatismo de muitos, incrementar uma política de investimento maciço na divisão de base. Investir e aproveitar, porque não vai adiantar revelar talentos e queima-los por falta de paciência e metodologia.


Falar nisso, vou responder ao tricolor Carlos Roberto Júnior, que quase todos os dias telefona para as emissoras de rádio esculhambando os cronistas que criticam a política do seu clube. Ele manda me dizer que “apesar dos seus comentários que o meu Bahia tem muita coisa errada, continuo amando o meu time, porque é como diz aquela música, “você não vale nada, mas eu gosto de você.”


Ótimo, Júnior. Depois não venha chorar nos microfones da vida e no pé do Caboclo.

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