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Coluna

RUINDADE OU CORPO MOLE?

Toda vez que um time tradicionalmente vencedor entre em uma depressão tão prolongada como esta do Bahia, logo aparecem mil suspeitas entre os seus adeptos e até mesmo os da imprensa que, como eu, não entendem mesmo porque tanta oscilação e tanta fragilidade. As premissas, suspeitas e até contundentes afirmações surgem de todos os lados, porque é duro tanto para cronistas quanto para torcedores admitir que um time tão grande quanto o Bahia tenha se apequenado ao ponto de virar saco de pancadas em uma competição de segunda escala, pois neste novo Século, ano após ano, não apenas o Tricolor tem amargado a falta de títulos como, também, levado goleadas inexplicáveis dentro e fora de casa, contra adversários sem a mesma tradição como Ferroviário, Brasiliense, Portuguesa e ABC.


Diante deste atípico capítulo da história de um dos maiores campeões nacionais, é mesmo natural que todo tipo de suposição seja levantada. Pelos mais fanáticos, que só enxergam a vergonha de tantas derrotas, como pelos mais sensatos, cuja razão ainda lhes reserva a análise de saber que muitos e os mais variados são os erros que levam o Gigante a tantas lutas mal sucedidas e tantas derrotas implacáveis.


Depois deste desastre em Natal, perdendo para o lanterna ABC, por 3x0, todas as feridas parecem eclodir em chagas abertas sem qualquer esperança de cicatrizar, porque depois daquele curto alívio de três vitórias seguidas (Atlético, Paraná e São Caetano), a idéia que fica é que o Bahia retomou a rua estreita e pedregosa de sua via-crúcis, perdendo três outras partidas (Ceará, Portuguesa e ABC), sem qualquer justificativa mais concreta, porque perdeu feio e sem apelação.


Aí então surgem as mais variadas suspeitas: que o time entra desligado em campo, que há qualquer problema no grupo, que os dirigentes não honram compromissos e a resposta é a apatia e o corpo mole, que aquela melhora dos três triunfos foi um entusiasmo passageiro com a chegada do novo técnico, que é uma questão de azar, porque há até os que contabilizam tentativas inconseqüentes como grandes chances perdidas. E essas suposições não podem ser condenadas, porque se baseiam em apresentações ridículas, que já não dão mais esperança de melhora, tal a vergonha que esta extraordinária torcida tem passado nestes últimos tempos. Talvez o que pesa mesmo ao nosso bicampeão é a fragilidade de um projeto de contratações e de métodos, muito mais do que a simples pecha da falta de emprenho e do comprometimento profissional, porque ninguém tem o direito de duvidar do caráter de tantos profissionais.


Até entre os jogadores as explicações têm sido as mais diversas possíveis. Jael e Nadson, que estiveram longe do que deles poderia se esperar, disseram que o time entrou em uma fase de azar, daquelas que a bola caprichosamente não consegue entrar. Mas na verdade, de chance real mesmo neste jogo do Frasqeirão, em Natal, só aquela bola chutada na trave pelo Juninho. As outras tentativas foram em bolas quebradas, sem objetividade. Mas é bom lembrar o que disse o lateral Rubens Cardoso, outro que não consegue dar seqüência ao trabalho que a experiência lhe recomenda: “Estão acontecendo coisas estranhas, hoje mesmo faltou mais atitude”.


Agora, se já era apenas uma questão de se apegar à Matemática, está quase impossível o Bahia subir de divisão. E sem querer ser gato-mestre, mas a experiência me autoriza dizer, o problema do Bahia é que precisa, assim que tudo ficar definido, ser passado a limpo e apresentar um projeto realmente condizente de quem precisa começar tudo do zero. Porque pior do que isso já não pode mais.

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