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Coluna

ESCLARECER É PRECISO

Esse negócio de a PetrobrAs estar negociando para patrocinar as camisas de Vitória e Bahia está ficando muito nebuloso e precisa, com o máximo de urgência, que a assessoria de Marketing da estatal na Bahia venha a público e esclareça a situação. São tantas as informações, são tantas as polêmicas, que já está virando um negócio de botequim – e, afinal de contas, trata-se de uma questão envolvendo os nossos dois maiores clubes e a maior empresa mista do país.


Há coisas que não batem bem: já ouvi que o Vitória, por ter entrado primeiro na luta por esses recursos da empresa de petróleo, já estaria com tudo praticamente acertado, e que estaria complicando a vida de seu rival; que a Petrobrás só iria investir no Estádio Manoel Barradas, mas, de repente, foi alertada para o fato de que o Bahia, clube de maior torcida no Estado, embora jogue em estádio de aluguel, mas, pela força que tem não poderia ficar sem uma boa fatia. Mas lembraram que, se as divisas forem liberadas para Pituaçu, o Bahia acaba não recebendo nada.


Como neste início de semana o assunto voltou a ser comentado com intensidade, é mais do que necessário que se faça um esclarecimento, definitivo e oficial para que se tenha uma idéia mesmo de como andam as coisas. Agora, falam que o contrato ainda não foi assinado com os dois clubes, porque o Bahia ainda estaria providenciando certidões negativas de tributos com a União. E que, como integrante da Timemania, o Tricolor estaria salvo.

O fato de se participar da Timemania, que visa amortizar as dívidas dos clubes, não dá direito nem ao Bahia nem a qualquer outro participante pensar que já está isento da fiscalização, porque com as cotas arrecadadas nos concursos desta loteria federal os clubes terão de se manter em dia com suas obrigações tributárias correntes e, ainda, complementar o valor da prestação mensal, o que significará outro pagamento mensal significativo. Ou seja, como muitos dos clubes tradicionais têm uma dívida muito alta, o valor a complementar da parcela mensal será, também, muito elevado. Quem falou isso foi o advogado Leonardo Viveiros, um dos maiores especialistas em tributos federais (INSS, FGTS, PIS/PASEP, etc). E tem mais: Viveiros acrescenta que são bem poucos os clubes que estão conseguindo se manter em dia com o parcelamento da Timemania e os tributos correntes.


Foi justamente por esses requisitos que a própria Petrobras, uma estatal, mas, também, de capital privado, não pode continuar com o contrato que tinha com o Flamengo, em valor que seria agora de quase R$ 2 milhões mensais. O que se sabe é que o Flamengo, com dívidas acima de R$ 700 milhões, teria que recolher todos os meses, com sua participação na Timemania, cerca de R$ 731 mil, mas não tem conseguido amortizar mais do que R$ 130 mil mensais, além de não está completando as parcelas nem quitando os tributos correntes. E que o clube da Gávea já teria armado a encenação de o contrato ser feito através de uma grande agência de publicidade, mas não colou – porque seria o mesmo que emprestar dinheiro a um amigo de um caloteiro que já estaria de bolso aberto para receber a grana.


Então, torcendo para que dê tudo certo para os nossos dois clubes (e até acho que seria uma burrice a Petrobras assinar contrato apenas com um), o que estou esperando, como seguramente todos os torcedores, consumidores e pagadores de impostos, é um esclarecimento oficial para acabar logo com esse disse-me-disse.

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