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Coluna

MELHORAR É PRECISO

O Vitória passou adiante na Sul-Americana, ganhando do Coritiba nos pênaltis, o Bahia venceu o seu segundo jogo seguido e o segundo fora de casa, melhorando a sua imagem na segunda divisão. Eu até concordo que haja comemorações, mas convenhamos: nem um nem outro chegaram a brilhar em seus jogos – pelo contrário, passaram muito mais pela incompetência de seus adversários do que por um futebol que já dê confiança de campanhas seguras.


Eu já disse e repito que não gosto de torcedor fanático, daqueles que se agarram a resultados pouco convincentes para esculhambar com os críticos sérios apresentando uma verdade que só a imaginação de seus desvarios pode conceber. É muito bonito e emocionante um grande amor em qualquer que seja a situação da vida, mas tem que ser um amor consciente, sempre reabastecido pela reflexão – e toda reflexão tem que ser racional senão acaba caindo no terreno da paranóia.


O Vitória até deu sorte na cobrança das penalidades – e tem torcedor dizendo que foi perfeito porque converteu todos da primeira série. E o de Roger, que ainda agora a gente tem que ver e rever na tevê para tirar as dúvidas se a bola entrou ou não entrou? Claro que entrou, mas se o Vitória tivesse sido envolvido pelo azar de outros tempos, o árbitro peruano mandava repetir e não sei o que seria. Mas o que ficou bem claro outra vez é que o nosso tricampeão perdeu a pegada do estadual e do início do Brasileiro. Está dando muitos apagões durante o jogo. Nos dois gols, nas outras jogadas perigosas do Coxa e nas duas ou três chances reais que criou. Não vou sacrificar o Roger, cuja entrevista a Nilson Luiz, da Itapoan FM, foi comovente, tal a fase de apreensão familiar que passa. Mas seria bom o Vitória encontrar uma solução mais coerente para o seu artilheiro, que tem uma filhinha se submetendo a uma delicada experiência médica na China. Se perdendo tantos gols como está ele é um dos vice-artilheiros do Brasileirão, atrás apenas um gol dos vanguardeiros, não pode ser tão ruim a ponto de servir atualmente de chacota entre os próprios rubro-negros.


O que o Vitória tem mais insistido nestes seus últimos tempos é mudar o esquema toda vez que vai jogar fora – e tem se dado muito mal. Nesta temporada, apensas duas vitórias em outros Estados, contra Juventude pela Copa do Brasil e Atlético/PR pela Série A, em quase 20 jogos. É terrivelmente pouco, coisa de  quem não sabe se comportar quando chega à casa dos outros.

O triunfo do Bahia sobre o Paraná (2 x 1) foi ótimo pelo aspecto de o Tricolor se distanciar da triste zona do rebaixamento, já nos dando praticamente a segurança de que não cai mais para a terceira divisão. Com 27 pontos, se ganhar os dois próximos jogos e se tiver a sorte do Guarani (37 pontos e 10 a mais) e o Ceará (34 pontos e sete a mais) entrarem em depressão, o nosso campeão brasileiro pode até chegar entre os quatro, porque, a esta altura acho difícil ultrapassar o Vasco (42 pontos, 15 pontos na frente) e o Atlético/GO (39 pontos ganhos, 12 a mais). Além disso, tem que secar também outros que estão à sua frente, como Portuguesa 28, Bragantino 29, Ponte Preta e Figueirense 30, São Caetano 34 e o próprio Brasiliense, que também tem 27 pontos, mas que o ultrapassa no número de vitórias.


É inquestionável que o Bahia tenha melhorado, mas na postura e no ânimo de se lembrar que é time grande e que tem estrela. Essas coisas estão sendo administradas pelo técnico Sérgio Guedes. E neste jogo contra o Paraná houve uma grande dose desses ingredientes. Porque não foi ainda uma vitória do time que teve as melhores chances e o melhor futebol, mas foi um triunfo merecido porque o Tricolor jamais jogou a toalha e sempre acreditou que podia e acabou ganhando.


Tudo bem, parabéns, os soldados voltam vitoriosos para casa. Mas que ainda é preciso melhorar para ganhar a guerra de seus propósitos – um permanecer vivo na Sul-Americana e na Série A e o outro voltar ao grupo de elite em 2010 -, isso precisa. E com muito vigor e urgência.

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