CAMINHOS SEMELHANTES
De castigados a vitoriosos. Mesmo placar (2 x 1), construídos de forma semelhante, contra dois Atléticos, tendo dificuldades, mas merecendo ganhar. Abertura de escores, empates preocupantes, vitórias consumadas, sem discussão ou dúvidas. Essas coincidências se completaram pelo fato de tanto tricolores quanto rubro-negros há cinco jogos sem um triunfo e os seus dois técnicos (Vagner Mancini e Sérgio Guedes) haverem demonstrado que o futebol é simples, não pode ser mexido e remexido. Dizendo melhor: é um lamentável equívoco querer-se encontrar fórmulas laboratoriais em jogo de bola, violentando jogadores, fragilizando a técnica, deflagrando buracos e inconsistências táticas.
O Bahia ganhou do melhor time da Série B. Não tem Vasco nem Guarani. O Atlético de Goiás é o time mais consciente dessa divisão. Faz tudo que o Mauro Fernandes quer: toca a bola bonito, tem um apreciável senso de conjunto e colocação. Houve momentos que sobrou em campo, tal a distribuição de suas peças. Parecia ter três ou quatro jogadores a mais. Só que o Bahia se superou em garra, em determinação, em força e fé de sua participativa torcida. Além disso, já mostra uma postura bem superior, a de que, mesmo quando está em dificuldades no jogo, gera a expectativa de que pode ganhar. Antes, não. Era um time mormacento, sem brilho, sem destino e sem metas. Parecia despencar para a terceira divisão. Agora, com a utilização dos novos reforços e a formação implantada por Guedes, já nos dá a confiança de dizer que o Tricolor não cai. E chegar entre os quatro vai ser uma questão de continuar progredindo.
O Vitória, que já mostrara um futebol mais sereno contra o Coritiba, pela Sul-Americana, sob a orientação do interino Ricardo Silva, mostrou progressos na derrota do Serra Dourada, com Mancini, embora tenha perdido para o Goiás, mas, como já disse, um duro e imerecido castigo. Mas neste jogo com o Atlético Paranaense, mesmo com sérios desfalques, soube superar os seus problemas, até andou inconseqüente no primeiro tempo, mas teve momentos de grande domínio na etapa final e quebrou o jejum de forma justa.
Dois jogadores foram os destaques do nosso representante da Série A: o veterano e sempre muito eficiente Ramon Menezes, que marcou o seu 93º gol em jogos de Brasileiros, agora ficando em 10º lugar ao lado de Reinaldo (Atlético-MG) e o garoto Neto Berola, que mostrou ter condições de ser um dos titulares do Vitória. Esperto, insinuante, buliçoso, abusado, fez outra vez um lindo e providencial gol. Sobre Ramon, aliás, entre os dez maiores artilheiros de Brasileiros da Série A é um dos dois ainda em atividade, porque a relação oficial da CBF apresenta Roberto Dinamite (190 gols), Romário (155), Edmundo (153), Zico (135), Túlio (129), Serginho Chulapa (125), Dario Maravilha (113), Evair (101), Washington (100), Reinaldo e Ramon Menezes (93). Ramon joga pelo Vitória e Washington pelo São Paulo. Os demais já penduraram as chuteiras faz tempo.
Agora, nesta próxima rodada, fora de nossos domínios, vamos ver o que pode fazer o Bahia contra o Paraná e o Vitória diante do Sport. Jogos difíceis, mas não vejo nada impossível a boa fase continuar.
