A VELHA MATEMÁTICA
Paulo César Carpegiani voltou a complicar o Vitória com suas invenções contra o São Paulo, o Bahia mudou de técnico após três semanas com Paulo Comelli, estamos atravessando uma fase muito amarga para os nossos torcedores. O Vitória perdeu o segundo jogo seguido e a invencibilidade no seu estádio e o Bahia acaba de passar mais dois vexames, um contra o Juventude, outro diante do Fortaleza.
É mais do que certo que a torcida tricolor espera que a imprensa sente a madeira nos dirigentes do Bahia, porque como abelhas sem colméia voam de um lado para outro, sem destino certo, demitindo Alexandre Gallo, contratando Paulo Comelli e nem completou um mês já estão esperando por Sérgio Guedes – e o mais grave é o que a imprensa nacional (acessem o portal Futebol Interior) está denunciando sobre mazelas estarrecedoras no Fazendão, que prefiro não acreditar.
Da mesma forma, os rubro-negros já começam a se desapontar tanto com a campanha de seu time, que teve um ótimo início e agora está descendo a ladeira de forma desabalada, com o técnico fazendo improvisações absurdas e os dirigentes o eximindo de culpa sob a alegação de que não lhe deram ainda os reforços necessários.
Que todas essas coisas andam erradas, isso ninguém tem mais dúvida. As nossas duas últimas derrotas, ocorridas neste final de semana (Fortaleza 3 x 2 Bahia e Vitória 0 x 1 São Paulo), até que poderiam ser absorvidas com tranqüilidade, mas em outras circunstâncias. O problema é que o futebol apresentado pelo Bahia não o credencia sequer a sonhar com uma das vagas à primeira divisão e o do Vitória decresce jogo após jogo, como se aquele belo triunfo contra o Santos tivesse dado um ponto final na campanha de um clube que parecia ser candidato em potencial a uma das vagas para a Copa Libertadores.
Já é hora de se começar a fazer as contas, mostrando aos dirigentes que se não adotarem medidas severas, com providências corajosas e atitudes coerentes, o Bahia pode cair para a terceira divisão e o Vitória poderá se complicar a ponto de ficar ameaçado de transitar no famigerado grupo da degola.
Nos últimos 21 pontos disputados (sete partidas), os dois ganharam apenas oito pontos e perderam 13 em suas competições, o que representa um ridículo aproveitamento de 38%. No futebol isso é o primeiro sintoma de paciente que está querendo entrar na UTI. O Bahia ganhou dois jogos (Vasco e Campinense) e empatou dois outros (Bragantino e Juventude), mas perdeu três (Figueirense, América e Fortaleza). O Vitória, também: ganhou dois (Santos e Coritiba), empatou dois (Náutico e Atlético/MG) e perdeu três (Corinthians, Avaí e São Paulo).
E tem mais: o Bahia, que é o 10º colocado na Série B, com 20 pontos, está com um rendimento global de 44,4%, das 15 rodadas que disputou só andou uma vez entre os quatro times que pretendem passar de divisão, está a 12 pontos do primeiro colocado (Atlético/GO, 32 pontos) e a sete pontos do quarto colocado (Portuguesa, 27 pontos). Mas, perigosamente, só está a três pontos do primeiro da faixa do rebaixamento (Duque de Caxias, 17 pontos).
O Vitória, embora em uma situação menos assustadora, também já não tem mais aquela comodidade de cinco rodadas atrás, quando estava sempre entre os primeiros e um aproveitamento que oscilava na faixa dos 70%. Agora, caiu para 50%, em sétimo lugar, 24 pontos, a 10 pontos do primeiro (Palmeiras, 34), três pontos do quarto colocado (Inter, 27 pontos) e a nove pontos do primeiro da faixa de rebaixamento (Atlético/PR, 15 pontos).
Estou realçando esses dados para que os dirigentes entendam que nem chegamos à metade do campeonato, mas a fotografia de nossos times está ficando desbotada a cada rodada que passa. Não é mudando de treinador todo mês que o Bahia vai encontrar o caminho do sucesso. O grupo é fraco, as contratações têm sido inexpressivas e de jogadores inativos, que precisam de tempo para ganhar forma. Não é também nesta concebida inércia, sem encontrar logo os reforços que precisa, que o Vitória poderá dar a volta por cima. Até porque, mesmo carente em alguns setores, toda vez que o seu técnico acha de fazer laboratório os resultados têm sido catastróficos.
Portanto, já chegou a hora de se apelar para a velha Matemática, porque esses números são muito preocupantes. E esses dois próximos jogos, mesmo fora de casa (Barueri-Vitória e Vila Nova-Bahia) parecem ser determinantes. Ou para se reabilitar ou para entrar logo numa situação muito difícil.
