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Coluna

A ANGÚSTIA DA EXPECTATIVA

Seja para o bem ou para o mal, esperar cria sempre uma grande ansiedade dentro da gente – e o pior de tudo é quando se trata de incertezas, porque aí gera uma angústia muito grande.


Tanto na Toca quanto no Fazendão esta é uma semana de fortes expectativas e, sobretudo, muitas incertezas. Do lado tricolor, uma fraca campanha, o time não dando resposta de que pode subir, troca de treinador, saindo Alexandre Gallo e voltando Paulo Comelli; já entre os rubro-negros, que até agora fazem uma elogiável campanha na Série A, justamente porque antes e depois daquela infeliz invenção técnica nos jogos contra o Vasco na Copa do Brasil, o técnico Paulo César Carpegiani parece querer praticar novas fórmulas de laboratório, escalando o menino Elksson no lugar de Apodi, caso o lateral-atacante não reúna condições clínicas para enfrentar o Santos. É bom lembrar que já não vai poder contar com Vanderson, que tem sido uma das peças mais importantes nestas três últimas temporadas, protegendo de forma muito segura a zaga do Vitória.


Não é que eu deixe de reconhecer a capacidade destes dois profissionais, mas quando Capergiani simplifica a escalação do time, o Vitória joga com eficiência, tem conseguido resultados práticos e merecidos – e mesmo quando perde jogando contra os grandes fora de casa, tem jogado um futebol valente, criado muitas oportunidades, dado calor no adversário. Mas quando entra com um esquema “revolucionário”, tem dado pra trás – e neste domingo vai pegar o Santos, sempre um adversário muito perigoso e de larga tradição. 
O Bahia precisa mostrar que fez uma mudança correta. Comelli quando aqui esteve, no ano passado, mostrou ser um estudioso, até mesmo um técnico para ser cobrado em longo prazo, sendo este um dos motivos de sua rejeição em pesquisa realizada por uma emissora de tevê. Fez bom trabalho, mas foi apenas vice-campeão e isso a fanática torcida não concorda.


Mas o treinador que está voltando, por ser um profissional muito atualizado, deve saber que não há mais tempo para demoradas experiências. O Bahia precisa de resultados, até agora só andou freqüentando o grupo dos classificáveis uma ou duas rodadas, e não vence há quatro jogos, onde só marcou um gol (0 x 3 Brasiliense, 1 x 1 Ipatinga, 0 x 0 Duque de Caxias e 0 x 1 Figuirense). Ganhou dois míseros pontos em 12 disputados. Ou dá uma guinada de noventa graus ou perde a tênue esperança que ainda há na torcida.  


Volto a dizer que o maior problema no Fazendão não era o treinador, mas o rendimento do atual grupo de jogadores. E não concordo com os que dizem que todos eles são imprestáveis, pois há uma boa fatia de atletas que estiveram bem em outros clubes. Mas que o desempenho vem sendo muito abaixo do esperado, isso vem – e que os métodos diretivos não passam grande confiança, isso não passa, porque volta e meia sai de lá uma notícia de um desentendimento que preocupa muito.


Falar nisso, ainda não foi esclarecida a situação do meia Léo Medeiros, que chegou a ser tido como fora dos planos e, também, a torcida gostaria de saber quais os motivos que impediram os principais dirigentes de receber o novo técnico no aeroporto.


Uns dizem que foi descaso, outros afirmam que os cartolas estavam muito ocupados com futuras grandes contratações. Mas todos asseguram que se tivessem contratado Geninho ou Nelsinho Baptista, como tentaram e não obtiveram êxito, as vagas no estacionamento seriam poucas para cartolas, conselheiros e pessoas influentes.


São coisas assim que aumentam a angústia dos torcedores.

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