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Coluna

SAUDADE E ESPERANÇA

Nostalgia é uma coisa saudável - como quase tudo – quando se é na medida certa, com o sentimento da saudade trazendo coisas boas e não tristeza. É assim que eu me sinto com relação à implosão da velha Fonte Nova. Uma parte da minha vida, sejam alegrias ou lamúrias, aconteceu no já desamparado e praticamente abandonado estádio. Mais do que a implosão deste domingo (29), o que realmente me machucava era ver um companheiro, um amigo, um irmão, sendo tratado como um mendigo pelos poderes públicos. Isso doía demais!


Por isso vejo esse renascimento com muita esperança. Esperança de que realmente saia do papel e que, os responsáveis, não a deixem se acabar novamente. Eu acredito de coração que, após a tragédia do dia 25 de novembro de 2007, a minha velha parceira não merecia mais ser tratada daquele jeito. Uma nova roupagem, uma reestruturação, até como sinal de respeito aos sete tricolores vítimas do descaso, se fazia obrigatório. É uma pena que foi preciso um desastre abrir os olhos dos governantes – que já sabiam, mas empurravam com a barriga – para dar a mãe de todos os domingos a reverência merecida.


Trazendo para o lado pessoal, a Fonte Nova tem uma importância muito grande em minha vida. Vindo de Ilhéus, acostumado a ter milhões de amigos e liberdade para ir e vir sem maiores preocupações, me vi preso três horas por dia em buzus, com poucos amigos e sem a qualidade de vida do interior. Só me sentia realmente em casa quando ia, muitas vezes sozinho, para a Fonte assistir aos jogos do Bahia. Fiz amigos de jogo, tomava minha cervejinha, gritava, cantava, chorava, xingava, enfim, extravasava e me sentia restaurado para o dia a dia novamente. Mesmo consciente de que, por estar na imprensa, dificilmente terei a oportunidade de reviver dias como àqueles – até por que a velha cervejinha foi para o saco -, não vejo à hora de tê-los de volta.
 

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