DANIEL, LICOR E BA-VI
Se o Bahia e o Vitória entrarem em campo neste final de semana com a disposição que o baiano Daniel Alves entrou na Seleção Brasileira no complicado jogo com a África do Sul, não resta dúvida que ganham de Duque de Caxias e Santo André, pelas suas séries de campeonatos brasileiros.
Foi uma semana de muito licor e arrasta-pé aqui no interior (estou em Itabuna desde segunda-feira), mas, também, nossas expectativas estiveram sempre voltadas para o futebol. Tanto o da Copa das Confederações quanto o que envolve a nossa dupla Ba-Vi, o Vitória tentando se afirmar entre os melhores da elite e o Bahia procurando ingressar definitivamente no G-4 da Série B.
No dia de São João, com uns jenipapos na cabeça e muito amendoim cozido à disposição, meus sobrinhos andaram secando o famoso time da Espanha, que parecia imbatível, com uma longa invencibilidade de 35 jogos, mas que acabou desmoralizado pelos Estados Unidos, que chegou à Copa das Confederações como franco atirador. A velha Fúria fez mais feio do que a campeã mundial Itália, porque os comandados de Marcelo Lippi perderam para os brasileiros, o que não chegou a ser uma grande novidade nem nenhum fato tão inesperado quanto a derrota dos campeões da Eurocopa diante dos States, porque entraram tão favoritos que até desdenharam no primeiro tempo, arquitetando algumas jogadas preciosas que acabaram merecendo o castigo de voltar mais cedo e ver o time mais aplicado e de tática mais simples ganhar por 2-0 e conquistar de forma muito merecida o direito de disputar a final da Copa.
O jogo desta quinta-feira teve um nome, um símbolo da raça e da predestinação de um baiano de Juazeiro chamado Daniel Alves, que há pouco mais de cinco anos era uma revelação do Juazeiro e uma esperança na divisão de base do Bahia. Entrou em campo na última hora, faltando cinco minutos para o jogo acabar: uma falta, lá foi ele, cara de pitibul, olhar de vingador, fixação na fé de quem pode e o chute traiçoeiro de quem realmente escrevia o nome na competição. O gol do Brasil, os abraços, a vitória, a conquista da final.
Na vida, os vencedores agem como fez o nosso conterrâneo Daniel. Tem que acreditar, tem que aproveitar nem que seja uma única chance que apareça. Acho que ele, agora, além de ser mais conterrâneo nosso do que nunca, é, também, um irmão fiel de todos os brasileiros, porque ele, somente ele, merece as maiores glorificações deste histórico jogo contra a África do Sul. Nem a barulhenta zoada das cornetas de 60 mil africanos, que mais parece um gigantesco enxame de abelhas uruçus, que até já estava irritando pelo efeito do futebol fraco e sem inspiração da Seleção Brasileira, perturbou a mentalização de Daniel.
Ganhamos nos últimos estertores e Daniel Alves foi o nosso grande herói. O que importa mesmo é que estamos em mais uma final de competição internacional, neste próximo domingo, às três e meia da tarde, contra os surpreendentes norte-americanos.
Fica, então, o exemplo marcante de Daniel para os times de sua terra (Bahia e Vitória), em seus compromissos do final de semana. Se entrarem com decisão, fé e coragem, seguramente vão ganhar os seus jogos contra, também, os imprevisíveis Duque de Caxias e Santo André.
