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Coluna

MÃO DUPLA

O jogo do Vitória contra o Internacional, como praticamente tudo que é colocado sob o crivo da crítica, tem dupla interpretação: os fanáticos, os contras e os de má-vontade logo enxergam que foi um péssimo resultado, que o Internacional colocou em campo um time reserva e que o Rubro-negro não teve a coragem de partir pra cima, fazer um montão de gols e se consagrar no Beira Rio; os mais moderados e conscientes, que naturalmente enxergam o futebol sem a ótica graduada de suas tendências, até admitem que o nosso tricampeão tenha desenvolvido um futebol plenamente aceitável.


Há – e ninguém pode negar isso -, alguns pontos muito claros que se sobressaíram neste jogo. O primeiro deles é que o Vitória jogou bem, dentro de seus conformes, só foi tímido nos primeiros 15 minutos, mas depois se levou sufoco também deu sufoco e isso é recomendável para um time que não pretende ser apenas doméstico; outro que o problema do time é a ausência de Neto. Um atacante que pode não ser uma maravilha técnica, mas que sobra em luta e esperteza na área e uma desmedida combatividade quando o seu time está sendo atacado, chegando mesmo a se confundir com os zagueiros. Então, está visível que nem Roger nem Adriano substituem bem o digladiador Neto, artilheiro nato, que já acumula carisma com a camisa 9 do Leão. Não sei se o outro Neto, o Berola, ou Robert, que ainda nem jogaram, poderão resolver esse dilema. O caso é que, até agora, enquanto o titular segue suspenso, o técnico Paulo César Carpegiani ainda não encontrou a formação ideal para o ataque.


O Inter jogou com a maioria de reservas, sim, mas foi também assim que ele já deu canseira em muita gente grande. Aliás, times como Flamengo, Palmeiras, São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Corinthians, que antes da bola rolar eram tão favoritos e intocáveis, ainda não engrenaram. Imaginem só se fosse o Vitória quem tivesse levado duas acachapantes goleadas como o Flamengo, que em um domingo levou 4 x 2 do Sport e oito dias depois uma solene surra do Coritiba, por 5 x 0! E ainda ouço e vejo companheiros cariocas dizendo que são acidentes perfeitamente superáveis.


Então, porque desgastar um empate contra o Inter lá no Beira Rio? É claro que o Vitória teve até chances de ganhar, mas, também, o Inter criou as suas oportunidades - e para fazer justiça, em 18 pontos disputados até agora, o time de PCC, conquistou 10, o que representa 55% de aproveitamento. E essa é uma campanha, comparada a outros bambans, que não pode ser minimizada.
Acho que o técnico tem que encontrar logo um substituto ideal para Neto Baiano - ou que a diretoria tem que contratar um goleador nato -, mas por enquanto ainda existem algumas alternativas com um melhor posicionamento para Roger, oportunidades para Berola e Robert, porque o menino Edson ainda não desabrochou em duas oportunidades que teve. Mas o Vitória está bem no campeonato e só os fanáticos de amor ou ódio não conseguem enxergar.


Aliás, o Vitória, desde que eu me entendo como cronista, tem sido o primo pobre do futebol baiano: se vai mal, serve de chacota; se vai bem, cria-se uma expectativa bruxenta de que logo desanda. E este caso do Ministério Público, que está indiciando o gestor rubro-negro Jorginho Sampaio sob a alegação de discriminação sexual contra a bandeirinha Márcia Bezerra, que andou se omitindo naquele gol não contabilizado contra o Palmeiras, é um exemplo marcante. Porque o que Jorginho disse, embora não concorde que só mulheres erram, foi o que já disseram várias pessoas da crônica, da torcida e da direção de clubes: que mulheres devem apitar ou bandeirar apenas em jogos femininos, por não terem o mesmo vigor físico para acompanhar o ritmo de jogos masculinos. E nem por isso tem um batalhão desses críticos indiciado para se justificar na Justiça.


Mas como em tudo há o problema da interpretação em mão dupla, é mais do que certo que alguém tenha que pagar o pato.

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