SÓ UM MILAGRE
Poderia ter sido pior – e o engraçado é que o Vitória só foi valente e decidido quando já estava reduzido a praticamente nove em campo, porque Luciano Almeida, em noite de extravagante fragilidade, havia sido expulso e Apodi, contundido, apenas fazia número em campo.
É claro que todos nós, que analisamos o futebol, temos um pouco de engenheiro de escombros, mas que Paulo César Carpegiani, que tem sido elogiado com muita justiça, desta vez foi muito infeliz, isso foi. Por não poder contar com Vanderson, acabou optando por uma formação que desmantelou todo o esquema que ele mesmo implantou.
Parecia muito prático: sem Vanderson lesionado e já podendo dispor de Ramon Menezes, era só colocar Marco Aurélio como zagueiro, puxar Wallace para a cabeça da zaga e manter Robinho na lateral. E o time começaria com Viáfara, Apodi, Marco Aurélio, Victor Ramos e Robinho; Walace, Bida, Carlos Alberto e Ramon Menezes; Jackson e Neto Baiano. Poderia até tomar de cinco, mas não teria sido da forma tão desestruturada e anunciada como aconteceu desde que o jogo começou.
Acho que o resultado desta quarta-feira coloca o Vitória apenas em uma situação de franco atirador para o jogo do Manoel Barradas, entendendo até ser tão difícil a classificação, que o mais prudente é o time se restabelecer psicologicamente para o jogo contra o Sport, no domingo, pelo Campeonato Brasileiro. Seguir na Copa do Brasil passa a ser apenas um mero sonho, um sonho que já se transformou em pesadelo.
Luciano Almeida foi o pior de todos os jogadores, mas não deve ser sozinho o culpado. De todos mesmo, o maior responsável por este “presente de grego” no dia dos 110 anos do Vitória, é Paulo César Carpegiani, que desta vez mereceu literalmente a alcunha de “professor pardal”. Se individualmente Luciano bateu todos os recordes (errou na marcação de todos os gols e ainda foi expulso), no geral Carpegiani errou em todos os fundamentos de escalação.
Esta derrota, contudo, apresenta um lado positivo: o de que é preciso levar este desastre como lição para o Brasileiro da Série A. Fazer as coisas com simplicidade, sem saltos altos, sem a crença de que é o porreta e que já está no ponto até de disputar títulos. É tudo muito fácil quando se ganha, aí se o crítico apresenta os pontos negativos, logo aparecem os que entendem ser má vontade e outras coisas mais – então, a única coisa útil que fica é justamente entender que competições nacionais são sempre muito difíceis e sem essas previsões de otimismo de que a situação ainda pode ser revertida.
Saudades – Só agora, através desta coluna, posso externar minha dor pela morte de dona Irene Irujo, uma extraordinária mulher, que sempre apoiou a comunicação baiana e me deu todas as chances possíveis quando trabalhei sob o seu sábio comando.
Nenhum outro dirigente de rádio foi tão entusiasta comigo quanto dona Irene. E fui testemunha que outros profissionais que passaram pelo Sistema Nordeste de Comunicação durante a sua gestão devem ter o mesmo sentimento.
Portanto, a Pedro Irujo, Luiz Pedro e Eliete Irujo, seus queridos netos, sua família, o meu mais profundo pesar com a certeza de que uma dama tão ilustre quanto Irene Irujo não morre, porque pessoas assim apenas viajam pela Eternidade, deixando exemplo de serviço e de amor pela sua gente.
