DOMINGO SEM ZEBRAS
Foi um domingo sem grandes surpresas: Vitória, Flamengo, Corinthians e Cruzeiro fazem festas merecidas. Os gols de Neto e Ramon Menezes, empatando o jogo do Barradão, serviram apenas para resgatar a grande verdade do campeonato: ninguém mais do que o Vitória mereceu o pódio. Conquanto o regulamento desse ao Bahia o direito de tentar quebrar um incômodo jejum neste último clássico, teria sido uma grande incoerência técnica. Restou ao tricolor o prazer de continuar mantendo uma boa invencibilidade no MB, agora de oito jogos. Mas a conquista do título seria injusta.
É só comparar o as campanhas globais dos dois finalistas: Vitória 60 pontos, 65 gols a favor, 19 contra, saldo de 46, aproveitamento de 76,9%. Bahia 53 pontos, 53 gols a favor, 26 contra, 27 de saldo, 67,9% de aproveitamento. Além disso, o rubro-negro teve o artilheiro (Neto, 18 gols) e o goleiro menos vazado (Viáfara).
O Vitória foi tricampeão em jornada onde ganhou na técnica e no fair-play, porque quando chegou à hora fatal o que se ouviu foi um montão de asneiras vindas do Fazendão, absorvidas com muita serenidade pelos dirigentes da Toca. Também, apesar de haver chegado em cima da decisão, o técnico Paulo César Carpegiani mostrou coragem, eficiência e visão de jogo acima do seu adversário Alexandre Gallo, que tinha a vantagem de haver formado o atual grupo de jogadores do Fazendão.
Ele, Carpegiani, teve a humildade de ouvir o competente interino Ricardo Silva, utilizando-se de todas as suas informações, dando ainda mais consistência ao esquema da equipe, não tendo o menor receio em aproveitar os meninos da casa (Victor Ramos e Wallace) em um miolo de zaga que perdeu os seus dois titulares (Thiago Gomes e Anderson Martins) por causa de lesões. Principalmente Anderson, que é realmente a nossa maior revelação nestes dois últimos anos.
O outro, Gallo, que até começou um belo trabalho, claudicou muito ao longo da competição, a ponto de chegar à final sem saber quem era quem em diversas posições – e suas piores falhas foram sempre nas substituições. E até passou a impressão de presunçoso em algumas colocações. Enquanto PCC sempre teve a receita no ponto para mudar, AG foi muito questionado nas escalações e nas mudanças, aparentemente muito equivocadas.
Além do mais, o Vitória teve alguns jogadores que desequilibraram em vários jogos, tais como o goleiro Viáfara, os experientes Ramon e Jackson, o versátil Bida, o resistente Vanderson, o azougue Apodi e o incansável Neto. Do lado oposto, até Rubens Cardoso, Léo Medeiros, Elton e Beto que eram tidos como acima da média acabaram desmoronando nas últimas rodadas, uns tecnicamente outros na bola e no comportamento. Falar nisso, a confusão provocada ontem por Reinaldo Alagoano, Marcelo, Nen e Beto justifica os problemas que estes rapazes se envolveram em vários episódios.
O jogo final foi assim: o Bahia deu até mais do que podia no primeiro tempo, o Vitória foi apático, parecia ter sentido o desgaste do jogo contra o Atlético-MG, pela Copa do Brasil, mas no segundo as coisas se inverteram. Carpegiani e a torcida remotivaram o time e o empate foi apenas uma conseqüência.
Porque se houve um desfecho muito justo e esperado foi a conquista do tricampeonato pelo Vitória. Aliás, foi um domingo sem zebras: Corinthians campeão invicto, Flamengo tri e Cruzeiro bi. Em outros centros também tudo normal: Goiás, Atlético-PR e Fortaleza levantaram a taça.
