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Coluna

DECISÃO É DECISÃO

Se fosse contar apenas pelo que o Vitória jogou nesta quarta-feira, 29, contra o Atlético Mineiro, não apenas seria o favorito contra o Bahia, mas, também, já poderia levar as faixas debaixo do braço. Só que, com todas as vantagens que tem (poder perder até com um gol de diferença, jogar em seus domínios com uma torcida infinitamente maior e haver vencido convincentemente o primeiro clássico), é uma decisão de título entre os dois maiores rivais do Nordeste, as previsões não podem ser descritas com a facilidade que alguns afoitos (ou irreverentes?) estão fazendo. 


 
O Ba-Vi tem apresentado, ao longo de sua história, surpresas inesgotáveis. Só mesmo os imprevidentes escolhem logo um time e vai dizendo que já ganhou, como se fosse uma receita de bolo que, muitas vezes, com tudo certinho no papel e na porcelana, acaba desandando se o ritual de sua feitura não for realmente dentro dos conformes.

 

É aquele negócio do detalhe, que acaba representando o tudo de um resultado final. Já vi muita gente quebrar a cara só porque tirou uma de gato-mestre, ditando as normas do grande clássico. Jurou uma coisa e aconteceu outra. Botou uma exagerada pitada de sal na panqueca e teve que engolir a seco.

 

Clássico é clássico, entra o emocional, a grande rivalidade, a mística, a imprevisibilidade. Nem sempre o melhor vence, porque em um lance qualquer, sem aparente importância, pode ser a tragédia de um e a consagração de outro. Portanto, nem o Bahia está morto nem o Vitória já pode gritar que é campeão. Aliás, faça-se justiça, os dirigentes rubro-negros e o seu treinador, Paulo César Carpegiani, sempre falam do clássico com muito respeito e cautela – e isso é outro fator que tem aumentado as chances do Vitória conquistar o tri neste próximo domingo.

 

Mas sobre o 3 x 0 contra o Galo, pela Copa do Brasil, o Vitória fez o seu melhor jogo da temporada. Jogou encorpado, firme na defesa, bem, muito bem no meio-campo, persistente e realizador no ataque. Dominou integralmente a partida, jamais foi ameaçado pelo time de Emerson Leão – e a única falha que teve foi não haver dobrado o placar, porque chances é o que não faltaram.

 

O técnico Paulo César Carpegiani fez uma apreciável leitura do comportamento de sua equipe, dizendo que foi tudo muito bom, mas que ainda pode render bem mais. Além de larga experiência e de tratar a imprensa com muita simpatia, PCC tem demonstrado algumas virtudes que devem ser realçadas: valoriza os meninos da casa (Walace e Victor Ramos são titulares) e já começa a dar chances a Adriano e Robinho, reconhece que o grupo é bom e não fica trabalhando sob o devaneio de contratações mirabolantes.

 

Quem foi ao Barradão nesta quarta viu uma das melhores apresentações do futebol baiano nos últimos tempos. Nem a goleada que o Atlético levou do Cruzeiro, no domingo, por 5 x 0, tira o brilho do triunfo rubro-negro, porque o Galo das Alterosas, mesmo após a acachapante derrota para o seu arquirrival continuou sendo um grande clube e de muita tradição. 

 

Apodi, Ramon, Jackson e Bida fizeram a diferença, mas, desta vez, Neto foi a grande atração, porque, além da incansável luta que o faz um atacante de mil-e-uma utilidades, escreveu o seu nome na história do clube e do estádio, marcando dois gols, um dos quais o milésimo do MB.

 

Mas época de decisões é assim mesmo: para o domingo no último Ba-Vi do ano a única coisa que o bom senso recomenda é que não vai faltar emoção. E só depois que o árbitro der o jogo por encerrado é que sai o campeão.

 

O Vitória tem mais chances, mas o Bahia ainda é um pretendente muito forte.

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