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Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

OS PRÓS E OS CONTRAS

Edson Almeida
O clássico é tão interessante que, na hora da decisão, todos os números caem por terra e passa a ser analisado de várias formas, os mais afoitos indicando um favorito, os desvairados até o placar, com tempo e goleador.


Prefiro manter a prudência – e quem quiser pode me intitular de um “em cima do muro”, porque o que não pretendo é ficar dando justificativas esfarrapadas como muitos fizeram no ano passado, quando descartaram toda e qualquer possibilidade do Vitória e o campeonato acabou sendo decidido em favor do rubro-negro no último minuto dos acréscimos e por um gol em dois jogos eletrizantes e de goleadas no Barradão (Vitória-Itabuna) e Camaçari (Bahia-Conquista).


Há vários aspectos que levam qualquer crítico conseqüente a dizer que o título continua em aberto. Pode até desenhar um campeão no primeiro jogo, em Pituaçu, mas até agora é temeridade antecipar um vencedor, fato que só pode ser ditado pela paixão desmedida, pela treita de querer agradar a uma torcida ou a interesses diversos.

 
Vejam bem: a contar pelo fato de o Bahia já ter um técnico (Alexandre Gallo) comandando a sua equipe desde que foi montada e saber tudo do adversário em todo o campeonato e o do Vitória (Paulo César Carpegiani) só haver assumido o time nos dois jogos da semifinal contra o Atlético, o tricolor leva vantagem; também, o histórico dos dois clássicos no turno de classificação (2-0 e 0-0) dá ao Bahia o direito de pensar com mais clareza no título. Mas, no geral, a campanha rubro-negra nos 24 jogos realizados pelos quatro clubes que passaram à decisão é bem mais significativa: 56 pontos ganhos, 18 vitórias, 61 gols a favor, 16 contra, 45 de saldo, 77,7% de aproveitamento, Neto artilheiro com 17 gols, Já o Bahia, 52 pontos ganhos, 16 vitórias, 50 gols a favor, 22 contra, saldo de 28, 72,2% de desempenho.


Então, não se pode desprezar a capacidade de um time que fez maior pontuação, ataque mais positivo, defesa menos vazada, artilheiro da competição. Nem o fato de, com melhor campanha, poder subir ao pódio com um empate ao final dos dois jogos, que muitos dizem ser dois resultados iguais, expressão que não utilizo, porque um time que perde duas vezes pelo mesmo escore também obtém dois resultados iguais e dá um solene adeus ao campeonato.


Acho que tricolores e rubro-negros não produzem um futebol tão confiável que se possa acrescentar este fator como determinante para desequilibrar a decisão. Cada um tem os seus problemas. Tanto o Bahia quanto o Vitória mostram-se inconstantes dentro de cada jogo. Estão muito bem e, de repente, dão um branco. Uns falam em preparo físico, mas creio mesmo que seja a falta de um maior equilíbrio nos times. E neste particular estão equiparados.


Por todas essas razões, quando me debruço em análises sobre esta decisão fico sem um grande favorito – e acho mesmo que o campeonato volta a ser decidido no detalhe.


Foi até fácil afirmar que, nas decisões Bahia-Fluminense e Vitória-Atlético o mais lógico seria outro Ba-Vi nas finais. Agora, o buraco é mais embaixo e é mais do que certo que mesmo os palpiteiros fanfarrões sabem que uma decisão como esta envolve muitos prós e muitos contras.
E até que tudo se esclareça, as chances são muito iguais.

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