COMEÇOU MAL, MUITO MAL!
Sei que é precipitado analisar a capacidade do treinador por apenas um jogo, mas, após Coritiba 2x0 Bahia, senti que perdi meu tempo escrevendo o artigo anterior tentando desarmar meu descrédito com relação a Márcio Araújo. E não venham me dizer que era o time de Renato Gaúcho, que não era! Renato entrou algumas vezes com três volantes e uma postura defensiva, contudo, não abdicava do ataque e quando a previsível vaca ia para o brejo, ele mudava o esquema e colocava jogadores ofensivos. O problema dele era outro. Esse jogo me lembrou a infeliz atuação do Vitória contra o Santos, na Vila Belmiro. Não fosse Renê – que ainda falhou no primeiro gol -, voltariam de Santa Catarina com a sacola cheia de gols.
Como justificar, manter a mesma formação e atitude que deram apenas um chute a gol até os 30 minutos do segundo tempo? Teimosia, desconhecimento do elenco, covardia, metodologia? Para mim, uma mescla de tudo. Foi ainda mais decepcionante a entrevista pós-jogo, tirando o corpo fora ao dizer que era o time de Renato. Então, para que viajou e ficou com aquela filosofia clichê, motivacional? Outra coisa, Gaúcho sempre que teve a disposição, usou os meias. Araújo usou a exceção como regra. Deveria ter seguido o exemplo dado por Toninho Cecílio, que teve ainda menos tempo com o elenco do Vitória, mas deu a cara para bater e fez o que achava melhor. Não foi omisso, nem procurou o caminho mais fácil e conveniente.
Não estou aqui dizendo que o treinador foi o único culpado na derrota. Alison, Ávine, Hélder – até tem certa qualidade com a bola no pé, mas não tem dinâmica e é muito displicente -, Morais, Rodrigo Grahl e Jael estiveram numa tarde infeliz. Jael, completamente descontrolado, só não foi expulso por condescendência do árbitro. As falhas defensivas individuais e de posicionamento seguem as mesmas. Nisso tudo, Araújo, realmente, não tinha o que fazer. Entretanto, ele não fez o feijão com arroz prometido. Não tem justificativa ter deixado Rogerinho no banco e ter abdicado de atacar. Pelo que me consta, no futebol, vence quem faz mais gols e não quem se preocupa apenas em não tomá-los. Suportar pressão por ter escolhido entrar na retranca não é mérito: é falta de ambição!
Espero que Márcio, que trouxe com ele nada menos que três auxiliares, reúna sua comissão técnica para assistir todos os jogos do Bahia na Série B, inclusive e, principalmente, os desastrosos contra Icasa, Duque de Caxias e Coritiba. Espero que Araújo não mantenha o pensamento excessivamente cauteloso de que, para resolver os problemas defensivos, é preciso renunciar do ataque. A diretoria também precisa fazer a parte dela. O elenco é forte para a Série B, mas um lateral direito e um zagueiro precisam chegar com urgência. O tempo está passando.
