BA-VI, SELEÇÃO E FLU
Bahia, Vitória e a Seleção desapontaram os torcedores, enquanto a melhor atração da semana passou a ser o Fluminense de Feira, com irrepreensível histórico nos últimos cinco jogos, os dois mais recentes em Salvador, contra os favoritos ao título, batendo no Vitória e empatando com o Bahia, sem qualquer tipo de desculpa.
Se for contar sobre as cinco últimas rodadas, o Flu tem o melhor aproveitamento: ganhou do Poções e do Vitória, fora de seus domínios (2 X 1), venceu Colo Colo (1 X 0) e Feirense (2 X 1), em Feira e empatou com o Bahia (0 X 0), em Salvador. Dos 15 pontos disputados conquistou 13 e está em terceiro lugar no geral, com 34 pontos.
O Vitória, que se mantém na liderança, agora com 41 pontos, tem uma história bem mais modesta nestes cinco últimos jogos. Dos 15 pontos disputados, só alcançou oito pontos, pois venceu o Ipitanga (2 X 0) e o Feirense (3 X 2) e empatou com o Madre de Deus (1 X 1) e Bahia (0 X 0), perdendo para o Fluminense (2 X 1).
Já o Bahia, vice-líder com 37 pontos, é o de campanha mais fraca no período em análise: só ganhou um jogo (Poções, 2 X 0), perdeu um outro (Feirense, 1 X 0) e empatou as três últimas partidas (0 X 0 Vitória, 2 X 2 Atlético e 0 X -0 Fluminense), somando tão somente seis dos 15 pontos disputados.
O problema do Bahia é que está cometendo o equívoco de meter na cabeça que já é um time tão forte que pode ganhar a hora que bem quiser e entender. Aí fica ensebando o jogo, tocando de lado a lado na defesa, não verticalizando as jogadas de meio-campo, e o adversário acaba ganhando gosto, crescendo em campo e dificultando as coisas. Foi assim contra o Atlético, quando nem mereceu empatar, e contra o Fluminense, quando teve mais chances, só que esbarrando no último toque de área, perdendo para a defesa do tricolor de Feira.
O drama do Vitória é que, mesmo líder, não faz uma campanha confiável. Suas apresentações são pálidas, seu futebol não tem brilho, até quando se empenha em alguns minutos, acaba passando a impressão de desleixo e fragilidade em vários setores. Neste domingo mesmo, no triunfo de 3 X 2 contra o Feirense, teria sido prudente toda a delegação ter voltado a pé, pagando promessa, direto para a Igreja do Senhor do Bonfim, para agradecer o resultado, porque passou um sufoco de causar piedade em qualquer cristão. E olhem que o Feirense teve o jogador Hermínio expulso, ainda no primeiro tempo, o rubro-negro chegou a botar 2 X 0, levou um gol, fez 3 X 1, mas nos últimos foi passível de levar uma histórica e desmoralizante virada, porque não teve a capacidade de se impor. Levou mais um gol e teve o triunfo comprometido até o árbitro acabar a partida.
Mais tarde, pela televisão, jogando em Quito, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, a Seleção de Dunga repetiu a dose. Foi sufocada o tempo todo pelo fraco Equador, só não levou uma balaiada porque o goleiro Júlio César foi impecável, defendendo de mão, de pé, de cabeça, de ombro e com a ajuda das traves e do azar dos atacantes adversários. Nunca vi coisa tão dolorosa quanto a deste jogo. Fizemos um gol com o Júlio Baptista e quase ganhamos, mas teria sido a maior injustiça dos últimos tempos – aí os equatorianos, depois de insistirem um caminhão de vezes, fizeram um golzinho chorado, no finzinho, sendo menos penalizados com o empate. Estou achando que a nossa Seleção, sob o comando de Dunga, continua sem grande futuro para enfrentar a Copa da África.
Então, o destaque mesmo foi o Fluminense de Feira, cujo treinador, Nazareno Silva, parece haver encontrado a receita certa para o grupo disponível. Time fechadinho na defesa, tranqüilo e consciente no meio-campo e um ataque que, apareceu uma boa chance, mete na caçapa.
Bahia e Vitória estão em depressão e se realmente há males que vem para o bem, é bom que todas as providências sejam adotadas com urgência, porque os dois me parecem garantidíssimos para o turno decisivo do campeonato, mas do jeito que estão jogando não têm boas perspectivas para as próximas batalhas da Copa do Brasil, contra Juventude e Coritiba.
