REPAROS E CONFIRMAÇÕES
Do gestor do Bahia, Paulo Carneiro, recebi comunicação telefônica fazendo algumas observações sobre as opiniões aqui expressas no comentário deste início de semana, esclarecendo-me que foi um equívoco afirmar que os atuais dirigentes do Vitória pegaram o clube falido, porque, conforme disse o ex-presidente rubro-negro, ele deixou um ativo em espécie de R$ 8 milhões da venda da sede de praia e mais o encaminhamento de negócios com jogadores, como Obina, que mais tarde acabou engordando os cofres dos clubes em alguns outros milhões e a viabilidade de venda dos talentos da Base, exemplo David Luís, transferido para o futebol português, que também geraram receitas que contribuíram para a gestão que lhe sucedeu.
Mesmo concordando com isso, não posso também, por uma questão de justiça, deixar de reafirmar o mérito de Alexi Portela e Jorginho Sampaio que, no espaço-limite de apenas dois anos tiraram o clube da terceira para a segunda e da segunda para a primeira divisão. E que tem, com todas as dificuldades enfrentadas, mantido pelo menos o departamento de futebol e os funcionários rigorosamente em dia com os salários, sem reclamações e crises internas. Porque essas conquistas o torcedor rubro-negro não as deve jogar na lata do lixo nem minimizar por causa de uma derrota ou de uma campanha mal sucedida ou por divergência de dirigentes: o mesmo tenho dito sobre os serviços prestados por mais de uma década pelo atual diretor tricolor. Afinal de contas, trabalhei com ele e não seria incoerente em negar esses fatos.
Há também, por uma questão de dignidade profissional, outro assunto a ser retocado: o fato de todos os ingressos não terem sido vendidos no clássico de Pituaçu, conforme disse e Carneiro me esclareceu, é porque nem todas as entradas especiais (do programa torcedor VIP), foram vendidas. Mas, infelizmente, talvez pelo entusiasmo que Pituaçu tem provocado em alguns companheiros de imprensa, o que eu ouvi no noticiário da tv, no sábado, foi que os ingressos estavam esgotados e que a lotação de 32.240 pessoas estava garantida.
Feitos esses reparos, permitam-me continuar achando que o superintendente da SUDESB, Raimundo Nonato da Silva, o ex-craque Bobô, foi severamente atacado pelo diretor da BWA, Sr. Bruno Balsimelli, e que a resposta dada através de nota da autarquia não fora contundente contrapondo-se às acusações do dirigente paulista. Mas como posso até estar fora de órbita, não será impossível, dentro de alguns dias, saber que Bobô e Balsimelli almoçam festivamente em uma churrascaria da cidade.
Mas insisto que Bobô precisa ocupar o mesmo espaço das resenhas e dizer tudo sobre as denúncias gravíssimas feitas pelo Balsimelli, inclusive insinuando que o campeão brasileiro de 88 pelo Bahia, atualmente dirigindo o órgão que comanda os desportos do Governo do Estado, solicitou vantagens para formalizar o contrato de confecção de ingressos. Pior de tudo é que tais informações foram feitas de forma sorrateira, como quem mancha a conduta alheia deixando no ar a sórdida imagem de que, na verdade, não tem a intenção de difamar.
Então, ainda espero um pronunciamento forte e concreto de Raimundo Nonato, porque a sua imagem está arranhada com tudo que disse o diretor da BWA. São reparos ou confirmações que todos nós estamos precisando ouvir para conclusões mais lógicas e justas.
