DISCUSSÃO ESTÉRIL
Nem o erro do árbitro em não marcar um pênalti a favor do Vitória nem o fato de o Bahia haver jogado por muito tempo com menos um (expulsão merecida do goleiro Marcelo), justificam as discussões de quem deveria ter vencido ou de quem vai conquistar o título. Já disse e repito: só mesmo uma grande zebra para a taça ficar com um time do interior, pois, mais do que nunca, tudo se encaminha para uma decisão final entre tricolores e rubro-negros – e não vou ser hipócrita em ficar dizendo que há um time jogando muito mais bola do que o outro.
Eu até apresentei o Bahia como favorito para o jogo deste domingo, mas o 0 x 0 foi a melhor cara do clássico. Jogo feio, de poucas chances, sem nenhuma criatividade dos jogadores e dos técnicos, mesmo admitindo que Alexandre Gallo é muito mais consciente do que Mauro Fernandes. Mas acho que a discussão mais coerente agora seja sobre as possibilidades de cada um nos campeonatos brasileiros – e digo mais: os próximos jogos da Copa do Brasil já vão mostrar o que nos espera a partir de maio, quando o Bahia entra na disputa de uma vaga para subir à primeira divisão e o Vitória para se manter entre os clubes de elite. E, pelo que tenho visto, as perspectivas não são as melhores.
O Bahia melhorou consideravelmente em relação ao ano passado, porque agora já tem até um grupo em condições de chegar ao título, mas se o sujeito olha sem a desvairada paixão que move certos torcedores, vê que, ainda assim, o Vitória, que já não tem a mesma qualidade de seus melhores momentos do último Brasileiro, apesar desses pesares, é o atual líder do campeonato estadual e pode chegar à frente do seu arquirrival na hora de decidir, basta que ambos conquistem a mesma quantidade de pontos até as batalhas decisivas.
Então, vamos ser práticos: o Bahia precisa ainda melhorar muito para entrar na Série B em condições de conquistar uma das quatro vagas. Nem tanto pelo empate com o Vitória, neste domingo, porque, afinal, clássico é sempre muito complicado e difícil, mas por alguns resultados ridículos em jogos no interior, como nas derrotas para o Colo Colo, no Mário Pessoa (2 x 0) e diante do Feirense, no Jóia da Princesa (1 x 0). Só mesmo fanáticos e imprudentes encontram justificativas esfarrapadas de que foram por causa de desfalques no time ou obra do acaso.
Já o Vitória não tem agradado tanto na técnica, com alguns dos seus jogadores mais caros jogando abaixo do esperado, como na tática, em que o treinador Mauro Fernandes parece não ter encontrado o ponto de equilíbrio, além de ser uma contestação unânime entre os torcedores, por causa de uma postura muito elementar diante de um time que se diz com a ambição de figurar bem entre os grandes do futebol brasileiro.
Vejam que, embora só tenham sido disputadas 16 das 22 rodadas da fase de classificação, portanto com 18 pontos à disposição de todas as equipes, o Vitória está com 38 pontos e o Bahia 35. O Fluminense tem 30, o Atlético 28 e o Conquista 26, portanto o quinto colocado (Conquista) tem 12 pontos a menos que o líder Vitória e nove do vice-líder Bahia. Não resta a menor dúvida de que as posições de Vitória e Bahia no quadrangular estão asseguradas.
O que acho é que se trata de uma discussão muito estéril esse negócio de quem conquista o título baiano, porque a preocupação maior e realmente proveitosa, sem agressões ou achincalhes, é sobre nossas reais possibilidades nos campeonatos brasileiros.
E nisso aí ainda estamos muito distante de chances concretas. Precisamos melhorar e muito.
