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Coluna

QUEM DEVE, PAGA

Edson Almeida
Tenho ouvido críticas ao Bahia cuja nova diretoria assumiu prometendo mudanças no time e na administração, mas que há três meses não paga a folha dos funcionários, a maioria com rendimento mensal de um salário mínimo.
O que me causa estranheza é conferir que essas críticas só acontecem depois de muitas considerações desnecessárias, de que o atual presidente, deputado federal, é um jovem batalhador, de boas intenções, que teve uma infância muito saudável na Ribeira e que é tricolor de coração. 
Acho que tudo isso é enchimento de saco e babação de ovo. Nada tenho contra o jovem e bem sucedido Marcelo Guimarães Filho, um dos deputados mais votados para a Câmara Federal, tatatá, tatatá... O que me cabe enfatizar é que ele não está cumprindo com as promessas feitas em campanha para sanear os antigos desmandos do clube, porque contratar melhores jogadores até que ele contratou, mas é ridículo que os empregados mais humildes permaneçam dependendo de cestas básicas ou clamando por justiça nas emissoras de rádio e nos jornais, porque quando recebem um mísero mês atrasado estão voltando da boca do caixa com a informação de insuficiência de provisão. Em termos práticos, receberam cheques sem fundo.
Todos nós sabemos que o atual gestor de futebol Paulo Carneiro não é bem visto pela imprensa, até porque ele próprio, em defesa de um tal de temperamento forte e polêmico, plantou um grande mal estar neste relacionamento, mas mesmo que tenha sido ele o autor da idéia de se pagar a jogadores e mandar empregados plantar batatas, quem tem que responder por isso é o doutor Marcelinho. Porque o regime é presidencialista, até prova em contrário quem manda no Bahia é ele.
Falar nisso, PC tem sido o boi-de-piranha dos desatinos tricolores, como está sendo no caso da cobrança de ingressos para crianças a partir de cinco anos e o foi na majoração exorbitante dos ingressos, na cobrança absurda de valores por sanduíches, refrigerantes e água mineral nos bares de Pituaçu e na apartheid das torcidas em dias de Ba-Vi. E que tenha sido ele o autor de todas essas idéias antipáticas e abusivas, não se pode isentar o presidente, que aceitou de bom grado, pegou a caneta e o papel e assinou os decretos-leis do campeão brasileiro. Sem pestanejar. Sem qualquer tipo de contestação. Pois são medidas que surgem de uma noite para um dia, sem qualquer pesquisa entre os torcedores e a sempre marginalizada imprensa, porque se há uma coisa que a maioria esmagadora dos cartolas não suporta é ter que ouvir o conceito da crônica esportiva.
Então, doutor Marcelinho, tudo que dizem a seu respeito, como pára-choque das críticas, pode ser verdadeiro, isso eu não discuto nem me interesso, o que me interessa mesmo é mostrar que o jovem dirigente, que até já me causou a impressão de equilibrado no que dizia, centrado nas atitudes prometidas, compenetrado na crise que o Bahia vivia, agora está adotando medidas equivocadas, que prejudicam o torcedor, que humilha os empregados de menor renda. Um deles disse na rádio que recebeu cheque sem fundo, que está com três meses de salários atrasados, que o operariado tricolor, impedido de requentar o refeitório da concentração, come debaixo de uma mangueira, com frutas pecas e lagartas caindo nos pratos, com a comida sendo molhada em dias de chuva. Isso, doutor, é desumano, criminoso, imperdoável. É hora de tomar uma atitude definitiva não apenas sobre esta, mas de todas as outras questões pendentes.
Sobre dívidas incompreensíveis, somente agora o Vitória está resgatando uma delas, cometida no mínimo pelo comodismo, fazendo voltar o ídolo Ramon Menezes, que até pode já não ser mais nenhum garoto que jogue o tempo todo com o mesmo vigor, mas que tem história no clube, uma história bonita, de muitos gols, de belas apresentações e de muita integridade como atleta e como homem.
São bem poucos os profissionais que já passaram por aqui, tanto no Vitória quanto no Bahia, com o cartel de sucessos no campo e na vida particular como este atacante. A sua saída, atendendo a caprichos do ex-treinador Vagner Mancini foi, no mínimo, uma grande injustiça. Mancini teve o seu valor, mas o clube não tinha o direito de preterir uma peça que, em campo, mesmo sem passe-preso, sempre representou um inestimável patrimônio de conquistas e de luta. Tanto que, ao sinal da primeira grande oferta financeira, o treinador arrumou as malas e foi embora para o Santos, onde hoje age conforme a política interna da instituição.
Portanto, quem deve, paga.

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