SÓ EMPATES
Volto a insistir naquela velha tese: temos a mania de criar expectativas exageradas. Já em outra, superestimamos as nossas forças. Ou ainda sempre subestimamos os nossos adversários de menor tradição. Mas no futebol atual esse negócio de tradição é o que menos conta, senão clubes como Bahia, Guarani, Paraná e Santa Cruz não andavam penando em divisões inferiores, como tem acontecido nestes últimos anos.
Dois empates muito parecidos, ninguém pode tirar sarro de ninguém: o Bahia marcou primeiro contra o “fraco” Potiguar, segundo os companheiros que lá estavam até parecia não ter dificuldades, mas teve, porque um de seus bons jogadores foi expulso (Elton), e no fim um empate em 2 x 2; o Vitória ganhou o primeiro tempo do “razoável” ASA, também parecia que ia trazer três pontos e acabou se contentando com um modesto 1 x 1.
Já disse e repito: nossas chances de conquistar a Copa do Brasil são pequenas. Ainda não formamos (nem Bahia nem Vitória), um time que se possa confiar nesta temporada de 2009. Está tudo muito claro que, em se tratando de campeonato estadual, qualquer um dos dois poderá ser o campeão. E tudo vai ser decidido mesmo é no mata-mata entre os quatro finalistas, com dois deles já sendo praticamente conhecidos (Bahia e Vitória) e o que for mais aplicado nos detalhes levanta a taça. Mas nunca é pouco lembrar que por aqui há um desnível muito grande de forças. Tricolores e rubro-negros estão anos-luz na frente dos seus adversários. Na estrutura, nas condições de recursos, na força de suas torcidas.
Há os que questionam sobre a atitude de Alexandre Gallo em ter poupado uma meia-dúzia de titulares contra o Colo Colo pensando no jogo de estréia da Copa do Brasil. Não vejo ter sido este o X maior do problema. O caso é que, por ser um time em formação quase que total, o Bahia vai ter que sofrer esses altos e baixos técnicos. Já o Vitória, que Mauro Fernandes não pode contar na partida anterior de igual número de titulares, mas por causa de cartões amarelos e lesões, tem uma espinha dorsal mais sólida, mas acabou desapontando da mesma forma, porque todos esperavam nem precisar do segundo jogo contra o representante alagoano.
Por todas estas questões, até acho providenciais estes empates da estréia, para mostrar aos treinadores que ainda é preciso melhorar, e aos torcedores que não devem criar esta expectativa tão otimista, embora não se possa dizer que tudo esteja perdido. E é justamente por isso que tanto Gallo quando Fernandes ainda têm tempo de reformular planos e estabelecer diretrizes para campanhas mais firmes no Brasileiro, o Vitória para não cair e conseguir uma posição honrosa na primeira e o Bahia para subir de divisão.
Então, é importante que já nos jogos de volta contra Potiguar e ASA, tricolores e rubro-negros façam uma ótima lição de casa, porque assim apagam a pálida impressão da rodada de estréia e reanimam os torcedores que continuam esperando campanhas de melhor nível nesta competição, que só perde mesmo em motivação para o Brasileiro da Série A – e que representa o meio mais fácil se de adquirir o direito de disputar uma Taça Libertadores da América.
Porque estes empates da quarta-feira apenas prenunciam fim de linha no primeiro grande obstáculo.
