HORA DE RECICLAR
Fui abrir a minha caixa eletrônica para responder a correspondência de passagem do Ano Novo e me deparei com um pedido, que mais pareceu uma imposição: “Como cronista, não deixe de contribuir para orientar a nova ortografia da Língua Portuguesa que está entrando em vigor neste primeiro dia do ano!” E o que se segue é uma verdadeira aula que, agora, passo aos meus amigos que me prestigiam com a paciência de visitarem estas mal-escritas linhas neste portal.
Explica que passados 18 anos de sua elaboração o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa finalmente está entrando em vigor e que o Brasil é o primeiro país dos que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia. Mas explica, também, que as regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias inicialmente nos documentos dos governos e que nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação.
Com toda sinceridade, cheguei a ficar preocupado com receio de ter que voltar à escola para reaprender o pouco que sei para não perder o emprego. Mas estou sabendo que esta reciclagem poderá ser tolerada em um prazo de quatro anos – e que as mudanças não são tão substanciais. As mudanças mais significativas alteram a acentuação de algumas palavras, extingue o uso de trema e sistematiza a utilização do hífen. Ainda bem que não escrevo para nenhum jornal ou site de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste ou São Tomé e Príncipe, os outros países da Comunidade.
Aliás, ao exercitar as minhas primeiras sentenças já notei que o meu computador, que até anteontem eu considerava de primeira geração, está ficando obsoleto, pois ainda insiste em colocar o trema e teima em acentuar as palavras paroxítonas com ditongos abertos “ei” E “oi”.
Quando eu escrever agora que “a vitória foi tranqüila”, já não deve mais ter os dois pontinhos em cima do “u” e que “a idéia do treinador foi colocar um time mais agressivo em campo no Jóia da Princesa para conseguir um feito heróico”, as palavras idéia, Jóia e heróico não devem ter mais acento agudo.
Também, cai o chapeuzinho (circunflexo) em paroxítonas com duplos “o” e “e”, nas formas verbais como vôo (o Vitória está pensando em um vôo bem mais alto nesta temporada de 2009) ou dêem (que os dirigentes do Bahia dêem melhores reforços aos seus torcedores). Tanto o voo quanto o deem não devem levar mais acento e a máquina aqui está fazendo uma confusão danada, porque agora mesmo já obedeceu à nova regra e não colocou os acentos. Mas vai ser preciso reciclá-la, certamente vou ter uma despesinha a mais para chamar um técnico bom em informática, porque só sei mesmo o básico.
Sobre o hífen eu até já antecipava alguma coisa, escrevendo em lugar de anti-social juntando as duas palavras e dobrando o “s” (antissocial) e a arqui-rival, dobrando o “r” (arqirrival).
Estou começando a nova temporada com essas loucuras só para dizer que o bicho está pegando e que os amigos me perdoem, pois já estou de saco murcho para pegar essas coisas num piscar de olhos. Mas como tem que ser assim, o jeito é me aplicar ao máximo por uma reciclagem, porque senão vou perder os meus caraminguás. Afinal estamos começando um Novo Ano, com novas esperanças, muitos desejos e não custa nada colocar nos ombros mais essa responsabilidade. Uma cuidadosa revisão ortográfica não mata ninguém.
Mas como dizem que vamos ter o prazo de quatro anos para fazer tudo certinho e como estou com o atestado de validade vencendo, nem sei se até 2013 ainda estarei contando as minhas complicadas estórias.
Explica que passados 18 anos de sua elaboração o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa finalmente está entrando em vigor e que o Brasil é o primeiro país dos que integram a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) a adotar oficialmente a nova grafia. Mas explica, também, que as regras ortográficas que constam no acordo serão obrigatórias inicialmente nos documentos dos governos e que nas escolas, o prazo será maior, devido ao cronograma de compras de livros didáticos pelo Ministério da Educação.
Com toda sinceridade, cheguei a ficar preocupado com receio de ter que voltar à escola para reaprender o pouco que sei para não perder o emprego. Mas estou sabendo que esta reciclagem poderá ser tolerada em um prazo de quatro anos – e que as mudanças não são tão substanciais. As mudanças mais significativas alteram a acentuação de algumas palavras, extingue o uso de trema e sistematiza a utilização do hífen. Ainda bem que não escrevo para nenhum jornal ou site de Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Timor-Leste ou São Tomé e Príncipe, os outros países da Comunidade.
Aliás, ao exercitar as minhas primeiras sentenças já notei que o meu computador, que até anteontem eu considerava de primeira geração, está ficando obsoleto, pois ainda insiste em colocar o trema e teima em acentuar as palavras paroxítonas com ditongos abertos “ei” E “oi”.
Quando eu escrever agora que “a vitória foi tranqüila”, já não deve mais ter os dois pontinhos em cima do “u” e que “a idéia do treinador foi colocar um time mais agressivo em campo no Jóia da Princesa para conseguir um feito heróico”, as palavras idéia, Jóia e heróico não devem ter mais acento agudo.
Também, cai o chapeuzinho (circunflexo) em paroxítonas com duplos “o” e “e”, nas formas verbais como vôo (o Vitória está pensando em um vôo bem mais alto nesta temporada de 2009) ou dêem (que os dirigentes do Bahia dêem melhores reforços aos seus torcedores). Tanto o voo quanto o deem não devem levar mais acento e a máquina aqui está fazendo uma confusão danada, porque agora mesmo já obedeceu à nova regra e não colocou os acentos. Mas vai ser preciso reciclá-la, certamente vou ter uma despesinha a mais para chamar um técnico bom em informática, porque só sei mesmo o básico.
Sobre o hífen eu até já antecipava alguma coisa, escrevendo em lugar de anti-social juntando as duas palavras e dobrando o “s” (antissocial) e a arqui-rival, dobrando o “r” (arqirrival).
Estou começando a nova temporada com essas loucuras só para dizer que o bicho está pegando e que os amigos me perdoem, pois já estou de saco murcho para pegar essas coisas num piscar de olhos. Mas como tem que ser assim, o jeito é me aplicar ao máximo por uma reciclagem, porque senão vou perder os meus caraminguás. Afinal estamos começando um Novo Ano, com novas esperanças, muitos desejos e não custa nada colocar nos ombros mais essa responsabilidade. Uma cuidadosa revisão ortográfica não mata ninguém.
Mas como dizem que vamos ter o prazo de quatro anos para fazer tudo certinho e como estou com o atestado de validade vencendo, nem sei se até 2013 ainda estarei contando as minhas complicadas estórias.
