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Coluna

FELIZ ANO NOVO

Em todos esses meus anos de consciência plena, porque até os 10 anos era tão inocente que acreditava em Papai Noel, tenho ouvido conceitos sobre a passagem do ano – e de forma bem acentuada frases de efeito que sintetizam a data, com votos de felicidade.
Na verdade, na maioria desses conceitos o Ano Novo traz em seu bojo mais latente um ardente desejo de prosperidade econômica, porque buscar o bem estar, o progresso material e a riqueza repentina tem sido a meta de todo ser humano. Até mesmo o homem mais abjeto, durante esta época, como que num toque de mágica, pensando colocar na prateleira suas ações degradantes, exercita o fiapo de bom e de solidariedade que ainda existe dentro de si, mas geralmente almeja fortunas e tesouros, esquecendo-se de sepultar o que há de desprezível e torpe em seus sentimentos mais permanentes. 
O sucesso humano nem sempre se delimita a uma maior quantidade de moedas, a uma mansão suntuosa, iate personalizado na marina mais próxima, carros importados, fazendas ou empresas de grande valor. Há pessoas, muitas pessoas que possuem tudo isso e que vivem sufocadas por um pavor que tem sido a maior enfermidade dos tempos modernos. São homens e mulheres, praticamente donos do mundo, mas sem o mínimo de liberdade para poder usufruir de todos esses haveres ao ar livre, deixando que a brisa e os raios de sol revigorem a sua pele em alegres e descontraídas comemorações com outros irmãos, de preferência pobres e ricos, negros e brancos, felizes e infelizes, porque assim se configura o verdadeiro sentido do congraçamento que o Ano Novo representa.
Mas não tem sido assim. O homem atual já não tem amigos, vizinhos ou comunidades do coração. Seu cão deixou de ser um animal de estimação para ser um feroz segurança de todas as horas. Ele tem medo de tudo e de todos, os ricos vivem enclausurados atrás de portões gigantescos e cercas elétricas, a violência é a ameaça constante de todos os dias e todas as horas. São vítimas, como os mais humildes, de assaltos, acidentes, balas perdidas e catástrofes naturais. E todos somos culpados de tantas mazelas, porque não temos sabido respeitar o próximo nem a própria Natureza.
Esses percalços são os frutos da falta de solidariedade entre os homens, de consciência de que precisamos zelar pela flora e fauna, da incompetência dos administradores públicos e da crescente indiferença da maioria esmagadora dos segmentos da sociedade, pois ainda existe felizmente uma meia-dúzia de iluminados advertindo a todo instante sobre a necessidade dessas ações de boa convivência e de construção de um futuro saudável.
É por isso que, de todos os cartões, e-mails e saudações pessoais que recebi de Boas-Vindas de 2009, o que me chamou mais atenção foi o que dizia, de forma simples e direta que me deseja um “Ano de muita prosperidade plantada na saúde física e espiritual, na harmonia com os homens e com a Natureza, porque sem essas dádivas tudo é impraticável”.
Eu acho que a riqueza material é uma conseqüência. E só amando ao próximo e respeitando tudo que nos cerca e nos ajuda a viver é que poderemos superar as dificuldades que 2009 já vislumbra com a crise econômica mundial, com o desemprego, com a violência e com as continuadas guerras.
Ah, sim, o futebol que é a minha verdadeira praia. Por favor, vamos continuar competindo, cada um procurando fazer o melhor, que passa necessariamente pela sabedoria de saber respeitar os adversários.
Por um mínimo que seja, vamos fazer a nossa parte. Porque nada é mais rico e triunfante do que a nossa Paz interior. Já que Ano Novo é data de congraçamento entre todos os povos, todas as crenças e todas as castas do Universo.

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