FELIZ NATAL
Num desses últimos Natais li uma crônica em algum lugar que dizia que o Natal é quando Jesus se mostra através dos homens e a felicidade se multiplica, porque felicidade não existe sozinha, só funciona em rede.
Nada foi mais pertinente para quem andava solitário e carente, quase entrando em depressão. Caiu como bálsamo. Realmente, a felicidade se deflagra em vários aspectos e matizes, mas se há um quadro que pode defini-la muito bem é quando o sujeito chega no Natal com saúde, família saudável e muitos amigos, emprego, dinheiro no bolso e as mãos cheias de presentes para dar.
Eu sou daqueles que gostam mais de presentear do que ser presenteado, porque nada é mais reconfortante do que a gente ver os olhos de alguém brilhando de felicidade porque foi lembrado por nós. Receber presente, não. A gente recebe e, muitas vezes, não tem nem tempo nem postura para agradecer com todos os risos ou todas as lágrimas de felicidade. É pena que eu não tenha todos os recursos nem todas as iniciativas para resolver o problema de muitas pessoas, principalmente os mais necessitados, como esses irmãos catarinenses, mineiros e nordestinos, uns devastados pelas enchentes, outros ressecados pelo sol escaldante em suas casas, pomares e criações.
Mas, apesar de só ter contribuído com pífia importância, fico emocionado em ver a generosidade de outros irmãos brasileiros, que tiram um pouco de seus mínimos pertences para amparar os que estão em pior situação. É a chamada felicidade em rede, porque é uns ajudando, outros recebendo e boa quantidade de pessoas torcendo por essas atitudes tão dignificantes e redentoras.
O esporte é também um retrato desses exemplos de superação, solidariedade e participação. Claro que eu sempre estive mais ligado ao futebol, mas em todas as outras atividades esportivas, o emocional se sobrepõe ao racional – e isso é o que mais realça o sentimento humano e a felicidade. Não somente a glória e as grandes conquistas causam emoção ou representam momentos de felicidade. Até nas derrotas se pode ver quanto é forte a felicidade. Quando há exemplos de lealdade, de gratidão, de grandeza de espírito.
Outro dia, durante os Jogos Olímpicos de Pequim, o judoca Eduardo dos Santos fez o Brasil chorar ao pedir desculpas porque não pode trazer uma medalha. Mas lutou com dignidade, com altivez, com o objetivo de honrar a sua gente e o seu país. Não subiu ao pódio da vitória, mas ganhou os degraus mais elevados do respeito e da compreensão. Barack Obama, três décadas atrás era um negrinho que brincada com os colegas na escola e nas ruas do Havaí, mas superou todos os preconceitos e todas as dificuldades e agora é o homem mais importante do mundo. Cada um tem o seu sonho, cada sonho tem um desfecho, mas o importante é não deixar de sonhar.
Nós, escribas do futebol, cometemos um gravíssimo erro todos os anos ao felicitar apenas os vencedores. Seria muito prático, agora, enaltecer os feitos rubro-negros da temporada, por conseguir todos os títulos do futebol estadual, por se manter firme na primeira divisão e por ter alcançado uma vaga na Copa Sul-Americana. Mas o Bahia, dentro de suas inúmeras dificuldades, continuou lutando, foi sempre um grande disputante, valorizou as conquistas do Vitória e, durante toda a disputa da Série B, se não foi brilhante nem conseguiu atingir a sua meta, suou a camisa, tentou melhor sorte de todas as formas e, agora, começa uma nova caminhada para resgatar a sua história de grande campeão.
E assim foram todos os personagens do nosso esporte baiano, em todas as modalidades, em todas as faixas etárias, inclusive a nossa gloriosa imprensa, que muito tem contribuído para dias melhores.
Fico feliz ao constatar velhos companheiros ainda na frente de batalha e que não estamos sós, pois muitos jovens, em todos os meios e veículos de comunicação, estão florescendo com grande vigor e muita eficiência, mostrando que o rádio, a televisão e a mídia impressa e eletrônica trazem uma safra de ótimos valores artísticos e morais.
E como é Natal e véspera de um Ano Novo, comemoremos a vida, a família, os amigos e nossos ideais. Esqueçamos as diferenças clubísticas, as batalhas pela audiência e as divergências de objetivos.
Vamos brindar a Felicidade. Vamos fazer de nossas vidas um eterno Natal de solidariedade, companheirismo, paz e amor.
