RENATO NÃO ERROU
No momento que Wallace fez o gol do Vitória no apagar das luzes contra o Conquista, pensei na mesma hora: “eta que Renato Gaúcho vai ouvir esses dias. Neguinho não vai perdoar. Vão falar de Alexandre Gallo e do Baiano de 2009, da diferença de pontos para Vitória...”. O motivo foi à escalação de uma equipe com apenas dois titulares contra o Camaçari, e o placar de 3x3. Seria injusto crucificá-lo.
Para começar, poupados, realmente, apenas Nen e Ávine. Esse último, por sinal, está, visivelmente, longe da melhor forma física, sempre em queda no segundo tempo dos jogos. Mais dois seriam preservados. Por ter sentido uma contratura muscular na coxa durante a semana, por motivos óbvios, se fazia necessário deixar Edílson um pouco mais em repouso. Já Ananias, iria pro jogo apenas em uma eventualidade, o que acabou acontecendo, com a lesão de Maurício, forçado a deixar o campo no intervalo. Porém, acredito que Renato Gaúcho escalaria uma equipe mista mesmo com todos à disposição.
E por que acho que ele não errou? Simples: o Bahia havia acabado de enfrentar o Camaçari na quinta e, assim como eu, Renato sabia que mesmo um time só com reservas, tinha totais condições de ganhar do esforçado Camaçari, de nível técnico muito abaixo da crítica. E era o que estava acontecendo até com certa facilidade. Vencia por 3x1, com um jogador a mais e sem ter forçado o jogo em momento algum. Mas ai, junto com a imprevisibilidade do futebol, entrou o relaxamento. Alguns dos comandados de Renato Gaúcho pareciam estar em uma sauna com massagistas. E isso, depois dos 20 minutos do segundo tempo. Será que a culpa foi do treinador?
Comparar com o que aconteceu ano passado é esquecer as circunstâncias. Gallo mandou os reservas a campo em três oportunidades – Colo Colo, Ipitanga e Madre de Deus -, todas fora de casa e contra times mais qualificados e motivados que o Camaçari. Além disso, na cidade do Pólo, não dá pra dizer que o tricolor está longe dos seus domínios, ainda mais atuando lá pela terceira vez em uma semana. Sem contar que a qualidade do elenco atual é bem superior.
Pelo momento e tudo que envolve a partida contra o Atlético-GO, Renato fez bem em descansar quem estava mais desgastado. Se isso valerá a classificação do Bahia, não sei, até por que, ter que vencer obrigatoriamente por três gols de diferença não é fácil. Com sucesso ou não na Copa do Brasil, a ocasião permitia o risco. Para finalizar o tema, ainda existe o fato de que a Série B está próxima e as oportunidades de testar alguns jogadores do elenco estão cada vez mais raras.
Maurício
Quando soube que o meia Maurício iria viajar um dia antes da decisiva partida contra o Atlético para fazer testes, de início, achei uma burrice sem tamanho, ainda mais com Rogerinho voltando de contusão e Abedi, bem, Abedi... Mas, conversando com pessoas do clube e as ligadas ao jogador, acabei concordando que não havia outro jeito. Maurício acredita estar diante dá chance de dar vida melhor aos seus humildes familiares, de base na pequena Sapeaçu. Sem contar, que ele volta a tempo das finais do Campeonato Baiano e ainda fica no início da Série B. Era a fome com a vontade de comer.
