PITUAÇU, CAVALO E MANCINI
Agora, já nem se sabe mais se o Estádio de Pituaçu será mesmo entregue em tempo de servir de palco para o jogo Bahia x Corinthias, programado para o dia 18. Prometeram em julho, passaram para agosto, setembro chegou sem solução e, nesta segunda-feira, já acenaram a possibilidade de não mais ser reinaugurado em outubro. Dona Maria Del Carmem, presidente da Conder, falou muito no rádio e na tv, remando daqui, remando dali, pouco disse.
Já houve desculpa de tudo que foi jeito e tamanho: que choveu muito, que os trabalhadores entraram em greve, que o material não chegou no tempo esperado. O último entrave é que um caminhão baú, semelhante ao do Faustão e do Silvio Santos, em lugar de trazer presentes, entrou no estádio e levou uma cacetada de peças que serviriam para cobrir as tribunas de imprensa e especial.
Problema maior é que, terminadas as obras, terão que ser dados laudos de PM, Corpo de Bombeiros, Transito e outras coisas mais, sem o que a CBF não vai programar jogo nenhum. E esses laudos têm que estar na Rua da Alfândega, no Rio, até o dia 8 de outubro. Só assim vai ter jogo no dia 18.
Roberto Cavalo chegou dizendo que o Bahia não foi humilhado pelo Avaí ao levar a contundente goleada de 4x1, no Ressacada. Para ele, foi obra do alagamento do gramado. O Bahia não sabe jogar na lama. É time de toques apurados. O Avaí já ganhou umas cinco partidas debaixo de temporal.
Os dirigentes tricolores até que gostariam de mandar Cavalo embora, mas só não o fizeram, segundo repórteres muito bem informados, porque não encontraram um técnico de melhor qualidade dando sopa no mercado. Até porque o caixa no Fazendão anda tão vazio que seria uma boa aparecer algum profissional para trabalhar de graça.
Wagner Mancini voltou de Goiânia com o discurso de que o Vitória parece que desaprendeu a jogar bola. Mas todos sabem que, depois da saída do goleador Dinei, Mancini anda muito perdido, sem encontrar um jeito de dar o ponto de equilíbrio ao time. O jogo rubro-negro é muito previsível e fraco. Ataca, ataca, ataca, sem fazer mal a ninguém. E quando é atacado, parece respeitar muito o time adversário, levando gols fáceis.
Dessas estórias todas, fica a certeza de que o nosso futebol ainda não amadureceu, não ficou adulto. Os dirigentes ainda não se compenetraram de que podem armar times fortes, as autoridades prometem muito, mas não fazem grande coisa. Parece mesmo que o Bahia foi campeão em 1988 e o Vitória chegou a uma decisão em 1993 por acaso. Há campeonatos que até começam bem, dando esperanças à torcida e, de repente, desandam.
O Vitória, a esta altura, vai ter que melhorar muito o seu rendimento em campo para conseguir uma vaga na Sul-Americana – e o Bahia, vai ter que tomar um rumo melhor para não ficar perigando em cair mais uma vez para a terceira divisão.
Sobre os nossos governantes, causa espanto saber que Brasília, que é apenas um território distrital, sem as mesmas condições econômicas da Bahia, já está com o Estádio Bezerrão praticamente reformulado, atendendo a todos os requisitos para uma Copa do Mundo, até com a data de 19 de novembro programada para promover um grande jogo comemorativo de inauguração, entre Brasil e Portugal.
Aqui, só agora é que o secretário de governo, Fernando Schimidt, vai ao Rio, apenas com uma maquete debaixo do braço, prometer que serão investidos mais de R$ 230 milhões pela iniciativa privada para tornar a Fonte Nova um equipamento de primeira. Mas se Pituaçu está sendo essa lambança toda, imaginemos o que não será a nova Fonte Nova!
As desculpas de Cavalo, Mancini e as informações sobre Pituaçu estão bem próprias de época de eleições, quando os candidatos prometem providências mirabolantes, mas a gente sabe que não vão acontecer.
