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Coluna

A MELANCOLIA DOS NÚMEROS

 Os números são assim: se são favoráveis, são alegres, coloridos, prazerosos. Se o cara olha o saldo e entrou pagamento, coloca um contagiante sorriso nos lábios. Mas quando está no vermelho, aí não tem bom humor que resista. Assim tem sido o jogo numérico do futebol. Ficar no topo da tabela é sempre motivo de comemorações, ficar na parte de baixo bate aquela melancolia inevitável.
O nosso Bahia está em uma zona muito perigosa, os matemáticos fazem cálculos sombrios, os meteorologistas do esporte asseguram tempo tempestuoso, porque atualmente o tricolor se envolveu em uma assustadora nebulosidade.
O drama é que Corinthians 55, Vila Nova 47, Santo André 46, Avaí 45, descendo por Bragantino 42, Ponte Preta 40, Barueri 39, Juventude 36 para chegar a 35 do Bahia, que ainda, com o mesmo número do Ceará, perde por causa de um saldo negativo de 7 contra um positivo de 5 gols.
 Olhando os de cima, são 20 pontos de vantagem para o Corinthians, 12 para o Vila Nova, 11 para o Santo André e 10 para o Avaí. Quer dizer que está a três vitórias e um empate do quarto colocado. Ou por outra: tem, nestas 13 últimas partidas, que somar mais quatro vitórias que os catarinenses para pegar a última vaga. Olhando para baixo, o primeiro da atual lista dos degoláveis é o Paraná 27 e a superioridade é apenas de oito pontos, tendo ainda nos calcanhares São Caetano 32 e o ABC 30.
 Para completar, o grande drama mesmo é que, nesta segunda fase do campeonato, já se passaram seis jogos, e o glorioso tricolor só ganhou dois jogos, contra América (3x0) e Criciúma (2x0), mas levou saraivada em todas as outras quatro partidas, diante do Fortaleza (5x1), do Santo André (4x1), do Barueri (3x2) e do Paraná (3x0). Somou apenas seis pontos dos 18 disputados, o que representa o pífio aproveitamento de 33%. Fez nove gols, mas levou 15, o que lhe confere um negativo de seis. Outro aspecto negativo é que, durante toda a primeira fase, o Bahia somou mais pontos em seus jogos na casa do adversário. Agora, nos três lá fora, não somou nenhum ponto e ainda perdeu feio um dos três realizados no Jóia da Princesa, naqueles 4x1 diante do Santo André.
 Na verdade, depois desta triste derrota contra o fraco Paraná, o que já se pode dizer é que classificar entre os quatro para a primeira divisão está praticamente impossível; lutar para se manter na Série B parece ser o mais real neste momento. E dá para preocupar esse negócio de os dirigentes ainda tentarem trazer jogadores de custo elevado, já que o clube não tem recursos. O mais prático seria colocar os pés no chão e repensar um final de temporada digno para não cair para a terceira nem aumentar as dívidas.
 É preocupante o atual estágio de desespero em que se encontram os dirigentes tricolores, a ponto de venderem antecipadamente ingressos para o jogo com o Corinthians, sem sequer ter a certeza de que o Estádio de Pituaçu fica pronto até o dia 18. Resultado: o Governo dá nota oficial condenando esta ação, a venda é suspensa e o Bahia ainda vai ter os gatos pecuniários e morais para devolver dinheiro a quem comprou um produto sem rótulo de validade e selo de garantia.
 Roberto Cavalo foi terrível neste jogo de Curitiba, quando sequer levou um atacante para o banco – e ficou de pés e mãos atados e olhos vendados – quando o Paraná teve o seu goleador Leonardo expulso ainda no primeiro tempo. Suas alterações não surtiram o mínimo efeito, é verdade; seu desempenho é pior do que o do proscrito Arturzinho, é verdade; mas o problema do nosso bicampeão brasileiro não é apenas de incompetência de treinadores, passa pela má gestão de seu projeto de vida, que engloba desempenho de planejamento, direção de conceitos, contratações equivocadas, falta de recursos financeiros, e praticamente nulidade de idéias de captação dessas divisas, apesar de ter uma das mais fanáticas, numerosas e fiéis torcidas do país cinco vezes campeão do mundo.
Os números tricolores atuais, portanto, mostram uma melancolia tão intensa, que não dá mesmo para suportar.

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