EU JÁ SABIA
Só mesmo um retardado para não saber, desde o começo, que o Vitória fazia de conta que iria abrir o Barradão para o seu maior rival e o Bahia fingia que poderia aceitar. Ainda no nascedouro das discussões, cheguei a dizer que até estimava em ver um acordo desses, mas entendia que, o final, o não seria a palavra chave e definitiva.
O negócio tinha (e eu abusei de dizer) que ser analisado por dois ângulos, ambos totalmente impraticáveis para qualquer desfecho favorável: do lado do dono da casa, a forte mágoa de quem teve o seu imóvel enxovalhado, ridicularizado, diminuído sob todas as espécies e todos os motivos; do outro, um pretendente que, ao passar as mãos sob o suor de sua face necessitada, caía no remorso do efeito de todas as artimanhas da depredação moral praticada, sem qualquer cerimônia, contra o estádio do adversário.
A pendenga jurídica de 1999, quando o Bahia se recusou a jogar uma decisão no Manoel Barradas, alegando ser um local acanhado e impróprio, e a seqüência de capítulos anti-esportivos, com tricolores indo de máscaras a cada clássico, protegendo-se contra as possíveis impurezas e moléstias do equipamento, foram resíduos que até hoje não se dissiparam, cicatrizes não curadas, seqüelas que ainda vão perdurar por muitos anos. Assim é a rivalidade do nosso pobre futebol.
Chega a ser fácil e prático a imprensa e os mais previdentes (permitam-me me incluir) usarem os microfones das rádios, câmaras de TVs e colunas da mídia escrita para ditar normas de bom entendimento, de cidadania e de fim de assunto. Mas isso não é assim, passa pela vaidade dos homens, pelos brios feridos, pela arrogância desmedida, essa praga que ainda não se descobriu um remédio para extirpar de certas pessoas, principalmente nesta atividade chamada futebol.
Teria sido tudo muito prático: já no primeiro momento, após a tragédia da Fonte Nova que ceifou sete vidas tricolores, autoridades do Governo e da FBF convocarem os dirigentes de Bahia e Vitória e formular o pedido que seguramente teria um desfecho favorável. Mas prometeram demolir estádio, fazer uma faraônica arena, depois baixaram a bola para reconstruir Pituaçu e, por fim, estão enfrentando as dificuldades inerentes de todas as obras públicas neste país. Aí, deu no que deu: a comoção da tragédia esfriou e os velhos ressentimentos afloram com o calor, a intensidade e a devastação de erupção vulcânica.
Agora, parece tarde demais para o Bahia aceitar, por considerar uma migalha, e dentro do que o Vitória sempre pretendeu que era empurrar a decisão com a barriga. Aliás, o NÃO tricolorido divulgado nesta quarta--feira pelo "Correio da Bahia", por sinal extraordinariamente apresentável em seu novo formato, dá a impressão de que o editor, mesmo sem ter tido a intenção da ambigüidade, acaba dando dois sentidos ao fato: o NÃO de um clube que recusa uma espécie de esmola, porque até exigia receber um milhão de reais para se exibir na casa do inimigo ou um NÃO pelos constantes desencontros do grande tricolor, entre dirigentes e torcedores, lutas por títulos e desacertos outros que o coloca na fila de perdedores, um contra-senso da sua história de que "nasceu para vencer".
Mas estou convicto de que essas coisas logo serão superadas, pelo menos com a conscientização de que o Bahia é possuidor de uma torcida grande demais para andar passando por esses vexames, por causa da falta de planejamento, que já se tornou crônica.
Agora, é como sugeri há várias e várias rodadas: fazer de Feira o seu verdadeiro habitat, treinar coletivos-aprontos no Jóia da Princesa, aclimatar-se definitivamente à sociedade local e buscar as difíceis vitórias que ainda poderão lhe proporcionar uma das quatro vagas ao futebol de primeira divisão.
Porque esse capítulo final exibido neste fim de terça-feira, sem qualquer presunção, eu já sabia.
O negócio tinha (e eu abusei de dizer) que ser analisado por dois ângulos, ambos totalmente impraticáveis para qualquer desfecho favorável: do lado do dono da casa, a forte mágoa de quem teve o seu imóvel enxovalhado, ridicularizado, diminuído sob todas as espécies e todos os motivos; do outro, um pretendente que, ao passar as mãos sob o suor de sua face necessitada, caía no remorso do efeito de todas as artimanhas da depredação moral praticada, sem qualquer cerimônia, contra o estádio do adversário.
A pendenga jurídica de 1999, quando o Bahia se recusou a jogar uma decisão no Manoel Barradas, alegando ser um local acanhado e impróprio, e a seqüência de capítulos anti-esportivos, com tricolores indo de máscaras a cada clássico, protegendo-se contra as possíveis impurezas e moléstias do equipamento, foram resíduos que até hoje não se dissiparam, cicatrizes não curadas, seqüelas que ainda vão perdurar por muitos anos. Assim é a rivalidade do nosso pobre futebol.
Chega a ser fácil e prático a imprensa e os mais previdentes (permitam-me me incluir) usarem os microfones das rádios, câmaras de TVs e colunas da mídia escrita para ditar normas de bom entendimento, de cidadania e de fim de assunto. Mas isso não é assim, passa pela vaidade dos homens, pelos brios feridos, pela arrogância desmedida, essa praga que ainda não se descobriu um remédio para extirpar de certas pessoas, principalmente nesta atividade chamada futebol.
Teria sido tudo muito prático: já no primeiro momento, após a tragédia da Fonte Nova que ceifou sete vidas tricolores, autoridades do Governo e da FBF convocarem os dirigentes de Bahia e Vitória e formular o pedido que seguramente teria um desfecho favorável. Mas prometeram demolir estádio, fazer uma faraônica arena, depois baixaram a bola para reconstruir Pituaçu e, por fim, estão enfrentando as dificuldades inerentes de todas as obras públicas neste país. Aí, deu no que deu: a comoção da tragédia esfriou e os velhos ressentimentos afloram com o calor, a intensidade e a devastação de erupção vulcânica.
Agora, parece tarde demais para o Bahia aceitar, por considerar uma migalha, e dentro do que o Vitória sempre pretendeu que era empurrar a decisão com a barriga. Aliás, o NÃO tricolorido divulgado nesta quarta--feira pelo "Correio da Bahia", por sinal extraordinariamente apresentável em seu novo formato, dá a impressão de que o editor, mesmo sem ter tido a intenção da ambigüidade, acaba dando dois sentidos ao fato: o NÃO de um clube que recusa uma espécie de esmola, porque até exigia receber um milhão de reais para se exibir na casa do inimigo ou um NÃO pelos constantes desencontros do grande tricolor, entre dirigentes e torcedores, lutas por títulos e desacertos outros que o coloca na fila de perdedores, um contra-senso da sua história de que "nasceu para vencer".
Mas estou convicto de que essas coisas logo serão superadas, pelo menos com a conscientização de que o Bahia é possuidor de uma torcida grande demais para andar passando por esses vexames, por causa da falta de planejamento, que já se tornou crônica.
Agora, é como sugeri há várias e várias rodadas: fazer de Feira o seu verdadeiro habitat, treinar coletivos-aprontos no Jóia da Princesa, aclimatar-se definitivamente à sociedade local e buscar as difíceis vitórias que ainda poderão lhe proporcionar uma das quatro vagas ao futebol de primeira divisão.
Porque esse capítulo final exibido neste fim de terça-feira, sem qualquer presunção, eu já sabia.
