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Coluna

PÓDIO SUPREMO

 Quando vi três negros subirem no maior de todos os pódios desta última Olimpíada, o da Maratona, um de Quênia, um da Etiópia e outro de Marrocos, os três representando países pobres, que muitas vezes a mídia os utiliza para mostrar a fome e a miséria, fiquei a me perguntar: por que ainda perdura tanto preconceito racial entre os homens? Por que insiste tanta discriminação entre ricos e pobres? Por que tanta arrogância e prepotência de uns, empurrando outros para o mundo dos excluídos?
 No episódio final do grande evento, ficou a imagem, dentro da moldura do fenomenal Estádio “Ninho dos Pássaros”, que o ouro, a prata e o bronze nunca escolheram as mãos dos mais ricos, dos brancos ou dos que já nasceram em berço de ouro. Podem perfeitamente transitar por diferentes irmãos, porque Deus fez a Natureza fértil para todas as suas criaturas.
 Houve um dos palestrantes que falou uma coisa muito pertinente à atual fase da humanidade: que todos, todos mesmo, que tanto carinho receberam dos chineses, e que foram testemunhas e protagonistas desse grande congraçamento, pudessem difundir e inseminar em suas casas, suas cidades e seus países essas experiências de confraternização e respeito ao direito de qualquer um lutar pelos seus ideais. Porque o homem nasceu para a paz, para o amor e para a integração.
 A cada competição esportiva universal como a que acaba de ser realizada, os exemplos marcantes, ficam em nossa memória. É o atleta desprovido de amparo que se supera e ganha medalhas, é o que realmente tem apoio e justifica os investimentos, os que não levam o espírito amador e decepcionam seus patrícios e patrocinadores, os que servem de exemplo para mostrar que cada um de nós pode curar cicatrizes e mágoas, desatinos e imperfeições.
 Maurren Maggi, por exemplo, anulou o rótulo do dopping, que a afastou de suas atividades por dois anos, trabalhando intensamente, mostrando-se uma guerreira, cuja glória a coloca entre as atletas inusitadas de uma Olimpíada. As meninas do vôlei explicitaram todo o seu desapontamento ao serem consideradas meras coadjuvantes, com um desempenho notável: oito jogos, oito vitórias, 25 sets, ganhou 24 deles!
 Há inúmeros artigos no compêndio da boa conduta, de esforço premiado, de aplicação humana impraticáveis em se dizer com um emocionado comentário de quem, seguramente com o atestado de validade se vencendo, não apenas ficou de olhos grudados na televisão, mas, não raras vezes, teve que enxugar as lágrimas de tanta emoção e intenso esplendor de imagens.
 Aquele nosso irmãozinho paulista, o Eduardo, que desabou em prantos, pedindo desculpa aos seus patrícios, porque após cinco batalhas de golpes recebidos e dados, lhe foi negado o bronze, em decisão de duvidosas de árbitros; ali ficou o exemplo de que a vitória nem sempre traz mais verdade do que a derrota. Porque ficou explicitado o seu inaudito esforço, o seu amor pelo que faz e o seu propósito de contribuir com o engrandecimento do esporte de sua Pátria. O outro, o carioca Diego, que foi ao naufrágio no último suspiro de intensa luta pela sobrevivência, também não perdeu a batalha. Porque todo o seu país, comprovando a sua eficiência, naquele exato segundo de fracasso fatal, também, solidário, sucumbiu com ele.
 Estou falando dessas coisas, mas não me esqueci do triste episódio que envolveu o Bahia durante esta semana, porque o futebol ainda é a nossa principal praia. Do que adiantou a valentia de alguns torcedores inconseqüentes, que foram ao local de trabalho de seus jogadores, dispostos a ferir e massacrar? Seguramente, em lugar de um alerta, levaram o pavor, que só causa fragilidade e falta de coragem para alcançar os objetivos. Porque quando a violência não gera mais violência, fatalmente provoca apatia e depressão.
 A humilhante goleada de 5x1 diante do Fortaleza foi mais um capítulo de que os fracassos só podem ser superados com apoio e fortalecimento de intenções, nunca pela pressão desvairada de quem se julga dono absoluto de verdades e de decisões.
 Neste particular o Vitória, que parece ter reencontrado o seu bom futebol neste triunfo de 2x1, contra o Figueirense, está apresentando um espírito olímpico mais condizente com as suas necessidades e a sua qualificação. Se tropeça em algumas provas, consegue melhorar as suas próprias marcas nas que se seguem – e vai levando a vida do campeonato com um bom aproveitamento e sem traumas de revolta ou desespero.
 Porque a vida, em todas as disputas e em todos os caminhos, está sempre desenhando o pódio supremo da superação. Uns conseguem, geralmente pelo esforço e pela união, outros se debatem o tempo todo, porque não conseguem enxergar as suas próprias deficiências.

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