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Coluna

SEMANA DE INFORTÚNIO

A semana se iniciou sob o mormaço de um lamentável empate do Bahia em Feira, contra o fraco Gama (2x2) e uma já esperada derrota do Vitória no Mineirão, diante do Cruzeiro (2x1) e aí parece que foi prenúncio de coisas ruins.
A terça-feira chegou com uma fortíssima decepção proporcionada por Dunga e seus comandados, diante dos sempre arrogantes argentinos que, desta vez, ganharam sobrando em campo. Estava em jogo da medalha de prata, porque agora, são os vizinhos que vão disputar o ouro contra a Nigéria, enquanto só temos a chance de chegar ao bronze, contra a Bélgica. E pelo que se viu, vai ser difícil, porque o time de Dunga, além de não ter comando nem trazer qualquer novidade tática não apresenta, em algumas posições, os jogadores que realmente mereciam ter sido chamados para representar o país em Pequim.

Na quarta-feira, dois momentos muito lastimáveis: o primeiro, durante a tarde, quando torcedores do Bahia invadiram o CT do clube e agrediram jogadores, provocando seguramente o maior conflito já ocorrido por aqui entre torcedores, jogadores e técnicos.

É preciso que não se cometa a injustiça de se afirmar que foi a torcida tricolor, mas vândalos que se julgam donos do time e das verdades do futebol. Entendo ser legítimo o direito de se protestar, mostrando descontentamento, exigindo-se providências e melhores resultados. Mas invadir o recinto de trabalho de profissionais com o firme propósito de massacrar, ferir ou até matar, isso é um absurdo e tem que ser punido pelas autoridades competentes.

A verdadeira e grande torcida do Bahia sempre foi generosa, mesmo fanática, ela sempre soube preservar a integridade física até mesmo de seus adversários. Por que então não se adotar medidas enérgicas e severas contra esses torcedores que não respeitam sequer a instituição que dizem amar tanto? Foi, acima de tudo, um ato selvagem e se aqui ainda existe autoridade e lei, tem que haver punição para os culpados. Mas já tem gente amenizando, dizendo que essa bandalheira foi cometida por adolescentes e que pouca coisa deve acontecer.

A noite chegou e o Vitória foi, com seus desfalques e suas vacilações táticas, uma caricatura daquele time valente, pegador, que tantas alegrias estava proporcionando em seus jogos do Barradão. Empatou com o Sport (0x0), até que forçou durante todo o primeiro tempo, mas deve colocar as mãos pros céus e agradecer a Deus, pois foi tão instável nos últimos minutos que quase perdeu diante de seus torcedores.

A quinta foi também melancólica: afinal, as meninas do futebol lutaram tanto, foram tão aplicadas e acabaram perdendo para as americanas na prorrogação só ficaram com a medalha de prata. Eu até poderia dizer que, neste caso, foi falta de sorte. Mereciam outro desfecho.

Ainda sobre nosso bicampeão, Wagner Mancini tem méritos no comando da equipe, mas precisa rever alguns de seus conceitos que desagradam muito à maioria da torcida. Tem dois bons laterais na reserva, insiste com Marco Aurélio, fraco na marcação, sem vocação para o apoio. Parece teimar com a arquibancada, sempre afirmando que não muda o time sob pressão. Cuidado que pode mudar sob a imposição de uma queda irremediável na tabela, que pode até ficar com a sua própria cabeça a prêmio.

Estimo que o final de semana seja menos desafortunado, com o Bahia ganhando os três pontos em Fortaleza, porque somente assim terá restabelecida a chance de classificar-se para a divisão de elite e o Vitória voltar a jogar o que sabe em Florianópolis, contra o sempre difícil Figueirense, para desfazer o triste presságio de que parece estar em queda inevitável.

Cabe ao rubro-negro, também, anunciar logo o nome do atacante que vai substituir ao artilheiro Dinei, inesperadamente vendido pelo Atlético/PR ao futebol espanhol, em pleno vigor de seu empréstimo.

E que desta vez seja um negócio mais seguro, adulto e competente, pois buscar jogadores sem qualquer despesa já não me parece uma atitude que funcione em clube de ponta. Isso aí é expediente de quem não tem expressão.

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