EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO
Lembro-me da época em que bastava a gente ter um dinheirinho no banco e o governo achava de tomar um tal de empréstimo compulsório, que só devolvia quando bem queria e entendia. Há pessoas que até hoje não receberam nenhuma pataca de suas economias – e como as leis e justificativas são feitas pelos que mandam em Brasília, nenhuma providência pode ser tomada.
Estou falando esse negócio porque se no futebol houvesse empréstimo compulsório, o Vitória poderia salvar o Bahia e o Bahia o Vitória. Era só o tricolor repassar a formula de ganhar pontos fora de casa e o rubro-negro de como fazer o dever de casa. Ambos estariam com 41 pontos, o Bahia líder de sua divisão e o Vitória no segundo lugar da Série A.
Vejam só o que fizeram nossos times no primeiro turno: em casa, o Vitória ganhou 24 dos 30 pontos que disputou, um extraordinário aproveitamento de 80%. Dez jogos, oito vitórias, duas derrotas. Fora de casa, apenas oito pontos de 27 disputados, duas vitórias e dois empates, o resto só derrotas, um aproveitamento fraco de 26%. Já o Bahia ganhou mais da metade dos 30 pontos que disputou fora de Feira de Santana, exatamente 17 pontos, o que lhe deu um ótimo aproveitamento de 56%. Mas no Jóia, só conquistou 12 pontos em 27 disputados, o que lhe conferiu apenas um índice de 44%. Então não custa nada a gente conjeturar esse tal de empréstimo compulsório, que não passa de uma forma prática de mostrar as maiores deficiências de nossos times: 24 pontos do Vitória no Barradão com os 17 pontos do Bahia fora de Feira de Santana, 41 pontos. Daí a necessidade de o rubro-negro pelo menos se aplicar para imitar o seu arquirival nos jogos fora e o tricolor ser mais competente, igual aos da Toca, quando jogar em casa.
Mas como isso é apenas uma fantasia para tornar mais suave a análise das campanhas dos nossos dois representantes em suas respectivas divisões, a continuar o quadro que até agora foi apresentado, nem o Vitória alcança a faixa dos classificáveis para a Libertadores nem o Bahia sobe de divisão. Então é preciso, com toda urgência desse mundo, que as coisas sejam alteradas: que o Vitória jogue com mais decisão lá fora e que o Bahia supere definitivamente esse trauma que o persegue tanto toda vez que entra no Jóia da Princesa, seja qual for o adversário.
Sobre o Vitória, que já começou o returno perdendo no Mineirão, fico sem entender porque só parte pra cima, na maioria dos jogos da casa do inimigo, quando tudo já parece perdido. Foi assim contra o Atlético na primeira fase, assim contra o Cruzeiro agora. Fica a impressão do quase, porque até que não joga mal, mas perde gols feitos, atrapalhando-se nas próprias intenções.
Já o Bahia, além das fragilidades que apresenta toda vez que joga em Feira, parece-me um time sem um esquema definido, que fica esperando resultados no estalo de um jogador, em uma jogada de sorte ou no desempenho acima do habitual deste ou daquele atleta. Tenho ficado intrigado ao ver times de menor expressão e sem a tradição tricolor tocando bola com eficiência, alternando jogadas, com um entendimento de linhas bem mais eficiente. Quando o jogo começa, durante os noventa, o tempo todo, o que tem resultado nestes resultados negativos. Isso voltou a ocorrer neste último empate contra o Gama, em 2x2.
Claro que nem o Vitória já arriou as malas nem o Bahia jogou a toalha, mas se não consertarem esses problemas, vai ficar difícil atingir os seus objetivos a partir da trigésima rodada. Até lá, todos esperamos que essas dificuldades estejam superadas, com o Bahia fazendo valer o seu mando de campo e o Vitória obtendo melhores resultados na casa dos outros.
E como esse negócio de empréstimo compulsório é apenas uma referência para ilustrar o atual desempenho de nossos clubes nos Brasileiros, fica por conta de Wagner Mancini e Artur Lima encontrarem as fórmulas de fazer contas mais equilibradas.
