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Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

PREOCUPANTE E INESQUECÍVEL

Um meio de semana que deixa uma sensação mista em todos nós: na terça-feira, um preocupante empate do Bahia (1x1) contra o ABC e na noite seguinte uma inesquecível goleada do Vitória (5x2) sobre o Botafogo/RJ. Só que temos o dever de analisar os fatos sem alardes, porque nem o Bahia é caso perdido nem o Vitória bilhete premiado de loteria. Foi realizada a décima rodada de campeonatos longos, restam ainda 28 jogos para cada um e a caminhada é difícil, incerta, mas há tempo suficiente para o que brilha ter todos os cuidados possíveis e até melhorar e o que não se assentou ainda, corrigir desníveis e buscar forças para chegar aos objetivos planejados.
O Bahia preocupa por alguns aspectos muito peculiares de outros campeonatos da Série B, onde somente quatro equipes logram o direito de festejar, porque subirão para a elite. O caso é que o nosso tricolor, 10 jogos realizados, praticamente um terço da competição, sequer teve o gostinho de transitar no G-4 – e isso é terrível. Com 13 pontos, já está muito distanciado do líder Corinthians, que tem o dobro. E o pior é que há times como Barueri, Avaí e Juventude, que apresentam certa regularidade e se distanciam do tricolor.
Vejo, contudo, que os dirigentes já tomam medidas emergenciais, procuram desesperadamente reforços de melhor qualidade e buscam soluções práticas para o time engrenar uma marcha de maior velocidade. Há, de outra forma, que se lamentar a histórica falta de coragem para aproveitar valores feitos em casa e isso tem sido, nestes últimos anos, um dos maiores entraves do bicampeão brasileiro. Não é nada desprezível tomar o arquirrival como exemplo: mesmo realizado contratações de salários elevados, os da Toca mostram atualmente meninos como Marquinhos, Anderson Martins, Wallace, Willians Santana, todos feitos em casa. No tricolor, Ananias, Marcone e Bruno Lopes ainda são questionados, porque falta a paciência da torcida e sobra a desconfiança dos dirigentes. E aí fica muito difícil que essa nova geração possa exibir todo o seu potencial.
Voltando aos resultados de terça e quarta, o que se viu, no jogo de Feira foi, outra vez, um Bahia inseguro, sem a velha personalidade de time vencedor, entregando os pontos no segundo tempo, depois de haver mostrado até certa supremacia no largar do jogo. Arturzinho parece querer resolver os problemas na última hora, já com a equipe em campo, pois o que a gente sente é que há falta de um esquema pré-estabelecido, a ponto de nem precisar o treinador gesticular, dar pulos de raiva nem ficar tão estressado durante toda a partida.
Já o Vitória tem o seu melhor início de campeonato, e mesmo se tratando de uma Série A, onde todos os times são cobras criadas, tem dado um excelente recado. Melhor de tudo é que, calmo e muito centrado, Wagner Mancini passa a imagem de um técnico que tem pleno conhecimento de virtudes e defeitos de seus jogadores, por isso tem, como se diz o grupo nas mãos. E não o deixa escorrer entre os dedos, como o seu colega do Fazendão.
Vou repetir um conceito que venho apresentando desde a quarta rodada dos dois campeonatos: a cada partida, a responsabilidade dos nossos representantes aumenta com a mesma intensidade, só que de caráter inverso: o Vitória, a de manter a pegada, porque todos os adversários já estão de olho nele, pelo futebol valente, rápido, insinuante, objetivo; o Bahia, pelas limitações de sua campanha, tendo a obrigação de melhorar consideravelmente para dar melhores esperanças. Tudo será muito difícil para os dois: o rubro-negro, agora, pega o Flu no Rio e o São Paulo aqui, enquanto o tricolor joga duas cartadas dificílimas fora do seu habitat, contra o Vila Nova e o Corinthians.
Portanto, é hora de se parar para pensar no futuro: se o Vitória tem realizado jogos inesquecíveis, como foi esta goleada sobre o Botafogo, maiores serão as dificuldades, porque agora já não o levam mais com descaso. E o Bahia tem o dever de mostrar para o país que não se trata de uma carta fora do baralho.
Essas coisas exigem seriedade no trabalho e na ação comportamental de todos.

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