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Coluna

COISAS DO DESTINO

Por Edson Almeida
 Ainda hoje, já perto e bater as botas, continuo me questionando sobre esse tal de destino, que aprendi desde os meus tempos de colegial, tratar-se de uma fatalidade a que estariam sujeitas todas as pessoas e todas as coisas do mundo. Uma espécie de fado, de fortuna, riqueza, sucesso para umas, pobreza e fracasso para outras dessas pessoas e coisas.
 Com o caminhar da vida e do saber, fui aprendendo algumas coisas que me tornaram muito mais confuso. Pessoas ilustres, superdotadas de pensamento, disseram que ninguém é dono de seu destino, que tudo vem certinho, sem mais nem menos. O grande mestre Nelson Rodrigues, de tantas obras maravilhosas sobre o comportamento humano, dizia em seus comentários esportivos que esta ou aquela vitória, este ou aquele insucesso e evento estavam escritos para acontecer há mais de dois mil anos.
 A doutrina espírita, recheada de extraordinários pensadores, explica, de forma sutil, porque acolhe todas as correntes de opiniões e credos, embora delibere de forma pragmática que a semeadura é livre, mas de colheita obrigatória. É uma versão do popular de que, quem planta, colhe. Fica recomendado, portanto, que a gente pode até trazer um destino, mas tem que ralar muito, trabalhando com intensidade e respeitando todos os princípios do bem, para chegar ao final de nossas incansáveis batalhas colhendo bons frutos.
 Por que todo este questionamento sobre o destino? Porque neste meio de semana tivemos dois exemplos que serviram para aumentar as minhas inquietações sobre esse tão delicado tema. A mudança de estratégia da diretoria do Bahia, que parece haver cansado em insistir tanto contra uma coisa tão saudável e clara, que é a democracia de poder, com todos tendo os mesmos direitos de postular cargos e de tentar solucionar os já quase crônicos problemas do clube e a conquista do Sport, em jogo difícil contra o poderoso Corinthians, quando precisava ganhar de 2x0, ganhou e reluziu o seu destino.
 Há aspectos, em um caso e no outro, que não podem passar sem explicações. O Bahia chegou a esse ponto, de ter uma representativa fatia de sua torcida acampada à frente da sede de treinamentos, até conseguir fazer um acordo para futuras eleições com a participação de torcedores associados, porque os seus velhos dirigentes insistiram muito em não admitir reformas estatutárias, não modernizaram seus métodos de gestão, perderam-se na estrada e na história. Então colheram o que plantaram. E por falar nesta tese, a própria entidade ainda granjeia os frutos da inadvertência, porque repousou muito nos loiros de glórias passadas, como se a grande quantidade de títulos e de triunfos eliminasse o dever de continuar batalhando e persistindo na busca de lauréis mais condizentes com a modernidade do futebol profissional.
 E a conquista do Sport? Primeiro, há de se analisar que, precisando ganhar de 2x0, sob pena de ter ameaçada a sua conquista, o vizinho nordestino jogou 32 minutos em uma apatia que causava pena. O adversário gostava, porque aquilo lhe daria a taça. Até que, em um estalar de dedos e piscar de olhos, o Carlinhos Bala e o Luciano Henrique liquidaram a fatura. Depois, o natural sufoco para fazer valer a sentença nelsonrodriguiana de que estava escrito há mais de dois mil anos que o rubro-negro pernambucano seria o grande campeão da Copa do Brasil 2008. Com méritos e louvor. Eu só fico chateado porque esse destino faz tempo que nos deu alegrias completas, em 1959 e 1988, com as conquistas do Bahia, e 1993, quando o Vitória andou batendo na trave.
 Agora, o que nos tem restado é incompetência dos dirigentes, magros triunfos e esperanças desfeitas, condimentados pela ruidosa insatisfação dos torcedores. Precisamos mudar esse triste destino, com trabalho, muito empenho e a determinação que o Sport acaba de mostrar ao país. Pois, apesar de todas essas correntes filosóficas existentes, eu ainda sou mais pelo bom destino daqueles que se dedicam pelo trabalho bem pensado e eficiente.

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