EXERCÍCIO DA HIPOCRISIA
O maior problema do futebol baiano é que tudo que se disse ontem já não vale mais hoje, os caras mudam de cor como verdadeiros camaleões, mentem, caluniam, criam as mais deslavadas verdades, e vão tocando a vida como se tudo estivesse às mil maravilhas.
Sinceramente, quando um amigo me telefonou informando que Arturzinho estava voltando para substituir Paulo Comelli pensei até tratar-se de uma brincadeira. Mas não foi e o técnico, que parece gostar mesmo de enfrentar problemas e confusões, aceitou o convite, já começou a trabalhar, fez de conta que tudo que disseram sobre seu desempenho durante a terceira divisão se evaporou no tempo e no espaço.
Como já estou enfrentando os rigores dos sessenta, posso até estar ficando broco, mas se não me engano, os últimos jogos de Arturzinho no Bahia foram de terrível conturbação, uma dessas tempestades que pareciam deixar desabrigados e casas desmoronadas. Nas resenhas do rádio e da tv, nos espaços de jornais e nas ruas, falaram que o técnico não tinha critério, que o titular de um jogo não ia nem na reserva do outro, que culpava os jogadores das derrotas e se enaltecia nas vitórias. Chegaram a dizer que ele creditava derrotas e empates à vontade de Deus.
Lembro-me que, na resenha da Transamérica FM, de maior audiência no horário, os clamores eram constantes. Eu até fui contestado por inúmeros torcedores quando disse que o Arturzinho tivera sido, sim, um técnico competente no tricolor. Que havia construído um histórico de 37 vitórias e 20 empates em 66 jogos, perdendo apenas nove partidas, com um apreciável aproveitamento de 66%.
Agora, na mesma Transamérica, onde ainda me aturam como comentarista, ouço uma multidão de torcedores dizendo tudo ao contrário, falando que o bom filho à casa do pai volta, que estão felizes e outros papos mais. Aliás, só um torcedor teve a coragem de dizer que realmente a saída de Arturzinho foi tida como um alívio para a maioria da torcida, diante das informações que andaram dizendo dele, inclusive, de forma muito sórdida, que ele teria feito exigências absurdas para permanecer no comando da equipe, logo depois que o time se classificou. Ele caiu em uma espécie de cilada.
Ficou bem claro que os dirigentes não queriam a sua permanência, porque pediram que ele formulasse uma proposta e, em surdina, revelaram tudo a jornalistas que cobrem o clube, e a delação foi deflagrada. Com críticas e escárnio. Aí, Arturzinho, que tem sangue quente, deitou falação, chegando ao ponto de afirmar – e isso a tv já se encarregou de mostrar – que estava muito desapontado e que jamais voltaria para apagar o fogo de ninguém. .
Gostaria que ficasse bem claro o meu conceito sobre Arturzinho: competente, sério, homem de trabalho, só que, muitas vezes, perde a tranqüilidade diante de certos problemas, principalmente quando o criticam de forma apaixonada. E passa a impressão de um homem extremamente estressado, até desequilibrado. E time de massa é assim, não apenas os torcedores da arquibancada, mas dirigentes e cronistas, também deitam a madeira diante de fases sem títulos e sem vitórias.
Para reavivar toda situação criada, foi dito, sem se pedir segredo, que o Bahia só se classificou para a fase decisiva da Série C porque pagou mais de R$ 200 mil ao ABC por um simples empate de 0x0 contra o Rio Branco, lá no Acre, em jornada dramática quando o Bahia só ganhou de 1x0 do Fast, sob suspeita de uma arbitragem tendenciosa, que deixou de marcar um pênalti para o time do Amazonas e ainda exagerou no tempo de acréscimo, só terminando o jogo da Fonte Nova depois que o Charles fez aquele “histórico” gol.
Trocando isso tudo em miúdos é o seguinte: Arturzinho aceitou, os dirigentes estão dizendo que sempre acreditaram em seu trabalho, tem torcedores que se dizem felizes no rádio (não é isso que encheram a minha caixa eletrônica), tudo bem. Mas é preciso que Artur, que realmente tem um respeitável currículo como ex-craque e atual treinador, fique de olho aberto.
Porque se há uma coisa muito nojenta é a prática da hipocrisia. Que neste episódio está sendo descaradamente exercitada.
Sinceramente, quando um amigo me telefonou informando que Arturzinho estava voltando para substituir Paulo Comelli pensei até tratar-se de uma brincadeira. Mas não foi e o técnico, que parece gostar mesmo de enfrentar problemas e confusões, aceitou o convite, já começou a trabalhar, fez de conta que tudo que disseram sobre seu desempenho durante a terceira divisão se evaporou no tempo e no espaço.
Como já estou enfrentando os rigores dos sessenta, posso até estar ficando broco, mas se não me engano, os últimos jogos de Arturzinho no Bahia foram de terrível conturbação, uma dessas tempestades que pareciam deixar desabrigados e casas desmoronadas. Nas resenhas do rádio e da tv, nos espaços de jornais e nas ruas, falaram que o técnico não tinha critério, que o titular de um jogo não ia nem na reserva do outro, que culpava os jogadores das derrotas e se enaltecia nas vitórias. Chegaram a dizer que ele creditava derrotas e empates à vontade de Deus.
Lembro-me que, na resenha da Transamérica FM, de maior audiência no horário, os clamores eram constantes. Eu até fui contestado por inúmeros torcedores quando disse que o Arturzinho tivera sido, sim, um técnico competente no tricolor. Que havia construído um histórico de 37 vitórias e 20 empates em 66 jogos, perdendo apenas nove partidas, com um apreciável aproveitamento de 66%.
Agora, na mesma Transamérica, onde ainda me aturam como comentarista, ouço uma multidão de torcedores dizendo tudo ao contrário, falando que o bom filho à casa do pai volta, que estão felizes e outros papos mais. Aliás, só um torcedor teve a coragem de dizer que realmente a saída de Arturzinho foi tida como um alívio para a maioria da torcida, diante das informações que andaram dizendo dele, inclusive, de forma muito sórdida, que ele teria feito exigências absurdas para permanecer no comando da equipe, logo depois que o time se classificou. Ele caiu em uma espécie de cilada.
Ficou bem claro que os dirigentes não queriam a sua permanência, porque pediram que ele formulasse uma proposta e, em surdina, revelaram tudo a jornalistas que cobrem o clube, e a delação foi deflagrada. Com críticas e escárnio. Aí, Arturzinho, que tem sangue quente, deitou falação, chegando ao ponto de afirmar – e isso a tv já se encarregou de mostrar – que estava muito desapontado e que jamais voltaria para apagar o fogo de ninguém. .
Gostaria que ficasse bem claro o meu conceito sobre Arturzinho: competente, sério, homem de trabalho, só que, muitas vezes, perde a tranqüilidade diante de certos problemas, principalmente quando o criticam de forma apaixonada. E passa a impressão de um homem extremamente estressado, até desequilibrado. E time de massa é assim, não apenas os torcedores da arquibancada, mas dirigentes e cronistas, também deitam a madeira diante de fases sem títulos e sem vitórias.
Para reavivar toda situação criada, foi dito, sem se pedir segredo, que o Bahia só se classificou para a fase decisiva da Série C porque pagou mais de R$ 200 mil ao ABC por um simples empate de 0x0 contra o Rio Branco, lá no Acre, em jornada dramática quando o Bahia só ganhou de 1x0 do Fast, sob suspeita de uma arbitragem tendenciosa, que deixou de marcar um pênalti para o time do Amazonas e ainda exagerou no tempo de acréscimo, só terminando o jogo da Fonte Nova depois que o Charles fez aquele “histórico” gol.
Trocando isso tudo em miúdos é o seguinte: Arturzinho aceitou, os dirigentes estão dizendo que sempre acreditaram em seu trabalho, tem torcedores que se dizem felizes no rádio (não é isso que encheram a minha caixa eletrônica), tudo bem. Mas é preciso que Artur, que realmente tem um respeitável currículo como ex-craque e atual treinador, fique de olho aberto.
Porque se há uma coisa muito nojenta é a prática da hipocrisia. Que neste episódio está sendo descaradamente exercitada.
