O ANDOR É DE BARRO
Por Edson Almeida
Eu até acho válido (e engraçado) quando Binha de São Caetano telefona para as rádios e fica dizendo, repetidas vezes, que o Bahia é maior do que o Barcelona, do que o Real Madrid, do que o Arsenal ou do Liverpool. Afinal, torcedor pobre e sem uma visão mais ampla da economia mundial, ele só consegue enxergar a indiscutível grandeza e fidelidade da torcida de seu clube e a desmedida paixão que lhe habita o peito. Por isso é perfeitamente perdoável tornar-se um visionário contumaz.
Mas neste início de semana, fiquei assustado quando o Kristiano Vasconcellos, um executivo que sabe muito de Marketing, que já mostrou inestimáveis serviços na Federação, no projeto Faz Atleta, da Secretaria do Trabalho, e no próprio Bahia, disse praticamente a mesma coisa, só que em termos mais técnicos e menos simplistas. Falou que, se o Bahia tivesse praticado certas ações mercadológicas, após a conquista do título de 1988, seguramente seria maior do que o Barcelona.
Meu Deus do Céu! Kristiano é duro acreditar, que o meu mestre de tantas orientações marqueteiras tenha encarnado o espírito de Binha, Zoinho e Risadinha... Você mesmo quando esteve no tricolor, encontrou sérias dificuldades. E isso ocorreu com Eduardo Ramos, outro grande amigo, que assumiu pensando que com seis meses, já o Bahia estaria com 100 mil torcedores pagando em dia, renda tranqüila, finanças resolvidas – e como isso não foi possível, esfriou e hoje é apenas um ótimo colaborador. Atualmente, tenho acompanhado o esforço de Marcos Costa, atual diretor de Marketing do Bahia. E o problema não está em sua capacidade, porque isso a gente sabe que ele tem muita, como você e Ramos, mas o grande empecilho é a pobreza de nosso mercado. Não podemos comparar o mercado brasileiro com o espanhol, porque aí vamos ficar errando o tempo todo, andando em círculo, sem encontrar uma saída. Se tudo fosse tão fácil assim, o Flamengo e o Corinthians, clubes das duas maiores torcidas do país, já estariam milionários. Mas, entre nós, os clubes que entraram mais na realidade do mercado – São Paulo, Inter/RS, Grêmio, Atlético/PR e Cruzeiro, são os que estão se dando melhor. Porque caminharam sob passos firmes, dentro da realidade mercadológica de seus estados que, convenhamos, é bem superior a da Bahia, que é uma unidade federativa pobre, sem a cultura de investir no futebol, com as riquezas muito mal distribuídas.
Para não pensarem que estou minimizando a nossa Bahia (nem o Bahia) é fundamental que, inicialmente, seja feito um comparativo entre Brasil e Espanha, que disputam com a China e a Índia a posição de oitava economia do mundo. As diferenças são muito palpáveis: o Brasil, com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 190 milhões de habitantes, no frigir dos ovos, tem uma renda per capita (por cabeça) de pouco mais de 9 mil dólares, a Espanha, do tamanho da Bahia e de uma população que nem chega a 50 milhões, tem uma renda de 35.000 dólares por pessoa. Como se sabe, a renda per capita é o resultado da divisão de tudo que o país produz (PIB – Produto Bruto Interno) pelo número de seus habitantes. Só que na Espanha ou em países de economia justa, a renda é realmente bem distribuída; aqui, está nas mãos de uma meia dúzia de tubarões e o maciço do povão passa fome, não tem dinheiro nem pra pegar o ônibus, com milhões e milhões desempregados, vivendo à custa da migalha de uma tal Bolsa Família.
Vamos comparar as coisas no futebol? Lá na Espanha os grandes empresários já admitem, faz década, que o esporte, notadamente o futebol, é um grande investimento; aqui, os empresários só pagam anúncios para clubes ou empresas de comunicação movidos pela emoção. São apaixonados, pois se o seu clube vai bem, até que patrocinam umas patacas, mas se há uma pequena depressão, ou deixam de pagar ou mandam retirar o patrocínio. E sobre os clubes? O Barça, com 160.000 sócio-torcedores, convênios e patrocínios de tudo que é espécie, fatura, anualmente, a bagatela de 600 milhões de euros – e junto com o Real, que fatura perto dos 450 milhões – representa 0,061% do PIB espanhol. Aqui, o Flamengo acumula dívidas de 350 milhões de reais só com a União e nem a tal da Timemania consegue amenizar o rombo. O Inter e o São Paulo, que mais arrecadam com o Marketing, entre 2 a 3 milhões de reais, também ainda continuam endividados. Mas, pelo menos, caminham sem os arroubos de tanta grandeza.
Para não me alongar, vale lembrar o grande professor Luiz Martins, em que sempre faz uma comparação sobre as diferenças entre a economia brasileira com a espanhola, mostrando que, em média, o brasileiro ganha 620 reais de aposentadoria e o espanhol, 3.500 reais.
Então, gente, o a procissão é numerosa, o santo querido até por demais, mas vamos de vagar, porque o andor é de barro...
Eu até acho válido (e engraçado) quando Binha de São Caetano telefona para as rádios e fica dizendo, repetidas vezes, que o Bahia é maior do que o Barcelona, do que o Real Madrid, do que o Arsenal ou do Liverpool. Afinal, torcedor pobre e sem uma visão mais ampla da economia mundial, ele só consegue enxergar a indiscutível grandeza e fidelidade da torcida de seu clube e a desmedida paixão que lhe habita o peito. Por isso é perfeitamente perdoável tornar-se um visionário contumaz.
Mas neste início de semana, fiquei assustado quando o Kristiano Vasconcellos, um executivo que sabe muito de Marketing, que já mostrou inestimáveis serviços na Federação, no projeto Faz Atleta, da Secretaria do Trabalho, e no próprio Bahia, disse praticamente a mesma coisa, só que em termos mais técnicos e menos simplistas. Falou que, se o Bahia tivesse praticado certas ações mercadológicas, após a conquista do título de 1988, seguramente seria maior do que o Barcelona.
Meu Deus do Céu! Kristiano é duro acreditar, que o meu mestre de tantas orientações marqueteiras tenha encarnado o espírito de Binha, Zoinho e Risadinha... Você mesmo quando esteve no tricolor, encontrou sérias dificuldades. E isso ocorreu com Eduardo Ramos, outro grande amigo, que assumiu pensando que com seis meses, já o Bahia estaria com 100 mil torcedores pagando em dia, renda tranqüila, finanças resolvidas – e como isso não foi possível, esfriou e hoje é apenas um ótimo colaborador. Atualmente, tenho acompanhado o esforço de Marcos Costa, atual diretor de Marketing do Bahia. E o problema não está em sua capacidade, porque isso a gente sabe que ele tem muita, como você e Ramos, mas o grande empecilho é a pobreza de nosso mercado. Não podemos comparar o mercado brasileiro com o espanhol, porque aí vamos ficar errando o tempo todo, andando em círculo, sem encontrar uma saída. Se tudo fosse tão fácil assim, o Flamengo e o Corinthians, clubes das duas maiores torcidas do país, já estariam milionários. Mas, entre nós, os clubes que entraram mais na realidade do mercado – São Paulo, Inter/RS, Grêmio, Atlético/PR e Cruzeiro, são os que estão se dando melhor. Porque caminharam sob passos firmes, dentro da realidade mercadológica de seus estados que, convenhamos, é bem superior a da Bahia, que é uma unidade federativa pobre, sem a cultura de investir no futebol, com as riquezas muito mal distribuídas.
Para não pensarem que estou minimizando a nossa Bahia (nem o Bahia) é fundamental que, inicialmente, seja feito um comparativo entre Brasil e Espanha, que disputam com a China e a Índia a posição de oitava economia do mundo. As diferenças são muito palpáveis: o Brasil, com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados e 190 milhões de habitantes, no frigir dos ovos, tem uma renda per capita (por cabeça) de pouco mais de 9 mil dólares, a Espanha, do tamanho da Bahia e de uma população que nem chega a 50 milhões, tem uma renda de 35.000 dólares por pessoa. Como se sabe, a renda per capita é o resultado da divisão de tudo que o país produz (PIB – Produto Bruto Interno) pelo número de seus habitantes. Só que na Espanha ou em países de economia justa, a renda é realmente bem distribuída; aqui, está nas mãos de uma meia dúzia de tubarões e o maciço do povão passa fome, não tem dinheiro nem pra pegar o ônibus, com milhões e milhões desempregados, vivendo à custa da migalha de uma tal Bolsa Família.
Vamos comparar as coisas no futebol? Lá na Espanha os grandes empresários já admitem, faz década, que o esporte, notadamente o futebol, é um grande investimento; aqui, os empresários só pagam anúncios para clubes ou empresas de comunicação movidos pela emoção. São apaixonados, pois se o seu clube vai bem, até que patrocinam umas patacas, mas se há uma pequena depressão, ou deixam de pagar ou mandam retirar o patrocínio. E sobre os clubes? O Barça, com 160.000 sócio-torcedores, convênios e patrocínios de tudo que é espécie, fatura, anualmente, a bagatela de 600 milhões de euros – e junto com o Real, que fatura perto dos 450 milhões – representa 0,061% do PIB espanhol. Aqui, o Flamengo acumula dívidas de 350 milhões de reais só com a União e nem a tal da Timemania consegue amenizar o rombo. O Inter e o São Paulo, que mais arrecadam com o Marketing, entre 2 a 3 milhões de reais, também ainda continuam endividados. Mas, pelo menos, caminham sem os arroubos de tanta grandeza.
Para não me alongar, vale lembrar o grande professor Luiz Martins, em que sempre faz uma comparação sobre as diferenças entre a economia brasileira com a espanhola, mostrando que, em média, o brasileiro ganha 620 reais de aposentadoria e o espanhol, 3.500 reais.
Então, gente, o a procissão é numerosa, o santo querido até por demais, mas vamos de vagar, porque o andor é de barro...
