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Coluna

OS RISCOS DOS AJUSTES

Por Edson Almeida
 Corrigir desníveis, seja em que atividade for, trata-se de uma ação de alto risco e que necessita, entre outros fatores, conhecimento de causa, sabedoria, justiça, decisão. É quando a ciência caminha junto com o prático: é preciso ter, também, uma boa dose de sorte. Mas não aquela sorte empírica, que muitos ainda cultivam no futebol. A de que o técnico não tem qualquer tipo de criatividade em seu esquema, mas que tem a mão milagrosa e quando pega um time, são vitórias sobre vitórias.
 Nos velhos tempos, falaram isso muito sobre Vicente Feola, um gorducho que dormia o tempo todo no banco de reservas e, quando acordava de seus cochilos, ficava sabendo que o Santos ou a Seleção Brasileira já estava com mais um gol na frente. Mais tarde, disseram de Gentil Cardoso e, nos tempos atuais, de Joel Santana, que evoca os deuses cariocas, que leva o jogo inteiro entretido com uma suja prancheta, que causa dúvidas se ele realmente anota alguma coisa. Entre esses exemplos, temos o de Evaristo de Macedo, que gosta de assumir os times mandando em tudo, de Zagalo, que adora uma superstição, o de Cláudio Coutinho, que implantou no Brasil sistema e terminologia científicos e o de Emerson Leão, provocador de encrencas contra jogadores, dirigentes, imprensa e torcedores. Mas ninguém pode lhes tirar o mérito de grandes vencedores.   
 Embora sejam também muito briguentos, quase do naipe de Emerson Leão, não restam dúvidas de que Felipe Scolari e Wanderley Luxemburgo são os melhores treinadores brasileiros do momento. Um em Portugal outro por aqui mesmo. São estudiosos sem perder a prática. Não pensem que defendo o empirismo. O que é preciso se entender é que as coisas fluem com mais rapidez, quando a ciência caminha com a prática, com o conhecimento de causa. Coisa que o Dunga, jovem técnico da Seleção, tem procurado fazer.
 Aqui em Salvador temos dois exemplos parecidos com o de Dunga: Paulo Comelli e Wagner Mancini, pelo que sei, jogaram futebol, conhecem do ramo, e estão se aplicando para ganhar caminhos vitoriosos como treinadores. E estão diante de novos testes importantes: um, Mancini, de pelo menos manter o Vitória em uma posição confortável na Série A; outro, o Comelli, de fazer o Bahia sair da Série B e reencontrar o seu verdadeiro lugar entre os clubes de elite.
 São tarefas difíceis, que requerem conhecimento de causa, comando eficiente, muita tranqüilidade para encontrar todos os ingredientes. E os dois técnicos parecem comandar seus times com todo apoio dos dirigentes, porque estão indicando reforços, fazendo alterações, implantando os seus esquemas para as complicadas competições em que estão envolvidos.
 Mancini muda mais do que Comelli, que já tem sob suas rédeas um grupo de jogadores desde que o campeonato baiano começou – e me parece dispor de uma espinha dorsal mais bem assentada, com Darci, Alyson, Rogério, Marcone, Ávine, Fausto, Ananias e Elias. Um lateral e dois atacantes ainda vão ser definidos. Mancini parece meio-perdido: ainda não deu pista de quem sejam os laterais, o goleiro ainda é uma incógnita, o meio-campo é suscetível de entradas e saídas e o ataque, esse sim, por enquanto é com Ramon Menezes chegando, Marquinhos e Rodrigão para empurrar a bola pra dentro. 
 De tudo fica a certeza de que é preciso fazer alguns bons pontos até a quinta rodada, porque, do contrário, o nervosismo chega, torcida e cronistas começam a desengavetar as calculadoras e tudo passa a ser uma corrida contra o tempo.
 Porque o grande erro dos baianos é, como nas vezes anteriores, só programar para definir suas equipes quando a bola começa a rolar. E corrigir desníveis assim é sempre uma faca de dois gumes: ou tem muita sorte ou entra pelo cano

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