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Coluna

O “SE” REALÇA ANGÚSTIA

Eu até concordo que de todos foi o Bahia quem levou a bala da roleta russa, porque depois de somar tantos pontos mais do que os outros quatro finalistas ao longo do campeonato – 60 contra 56 do Conquista, 52 do Vitória e 41 do Itabuna – e acabar vice-campeão, parece mesmo negócio de mais um capítulo do carma que assola o tricolor há quase uma década.
Acho, também, que a torcida tricolor, desta vez, tem que ser felicitada porque, mesmo levando o golpe que levou, não perdeu a esportiva com os rivais gozadores e o amor com o seu querido clube, mostrando-se fiel, tendo até os que, na segunda feira de cinzas foi para a rua de camisa azul-vermelha e branca. Na verdade, houve até companheiros da crônica que amam o bicampeão brasileiro que não conseguiu segurar o desapontamento, coração sangrando e língua afiada para dizer que tudo esteve errado.
O certo, gente, é que o Bahia lutou, fez o seu melhor campeonato da década, mas deu azar no regulamento, que, como no ano passado, estabelecia zerar tudo na fase decisiva – e nisso aí o Vitória, que aparecia como terceira opção, foi melhor. Essas coisas acontecem, porque, também, tanto um quanto outro já foram beneficiados, exemplos múltiplos que definem vários títulos em todos os cantos e em todos os tempos. Quem exemplos inquestionáveis? Bahia campeão brasileiro de 1988 não foi o de maior pontuação, o Vitória vice nacional de 1993 também não foi o segundo que mais conquistou pontos. Os dois, em cada competição, foram os de terceira melhor campanha. Mas regulamento é implacável.
No título do Bahia, em termos de conquista de pontos, o Vasco, quinto colocado, somou 57 pontos; o Inter, vice-campeão, 55; e o Bahia, campeão, 54 pontos. Mas isso não lhe tirou o mérito, porque quando o certame foi afunilando, o Bahia cresceu e foi o melhor de todos os classificados a partir da fase semifinal. Ninguém, mas ninguém mesmo pode lhe tirar o brilho, a validade e a grandeza dessa conquista.
No vice do Vitória, em 1993, o Palmeiras campeão foi realmente o de maior pontuação (36), mas o Corinthians, que acabou em terceiro lugar foi o segundo neste quesito (31), pois o nosso rubro-negro terminou com 30 pontos. Mas foi quem se qualificou para decidir o título, em um dos dois quadrangulares finais, contra o próprio Corinthians, o Flamengo e o Santos. O Palmeiras se classificou pelo quadrangular que ainda teve São Paulo, Guarani e Remo. Então, da mesma forma, não se pode questionar o mérito do Vitória em terminar vice-campeão, a história vai lhe perpetuar com esta façanha e pronto.
Assim, fico impressionado com tanto “se” que alguns formadores de opinião ficam desenterrando: se o Bahia não perdesse o clássico por 3x0, se não levasse aquele vareio do Itabuna também por 3x0, se fizesse mais um dos gols perdidos no finzinho do jogo do dia da decisão, se o Itabuna fizesse mais um gol no Barradão...
Ora, bolas, mas o Vitória, também, poderia se alicerçar nessa zorra de “se”. Se não levasse aquela humilhante balaiada tricolor de 4x1 em seu próprio campo; se não tivesse sido uma peneira contra o Conquista, naquela empate de 5x5; se tivesse, como seu adversário, deixado de perder tantas oportunidades na partida final, contra os itabunenses!...
Então, esse negócio de ficar conjeturado situações hipotéticas, o que realmente faz é aumentar a angústia de quem ama o Bahia e queria vê-lo campeão. Por isso é que estou parabenizando a massa torcedora, o povão tricolor, que parece ter compreendido os caprichos do futebol, em um ano muito difícil, em que a sua equipe andou jogando aqui e acolá, mas que deu uma resposta de garra, de luta e, porque não reconhecer, de boa técnica e futuro promissor.
Afinal de contas é com luta e perseverança que se consegue superar épocas difíceis e de desilusão. Qualquer outro tipo de comportamento é aumentar angústia e sofrimento.

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