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Coluna

QUINTA-FEIRA QUENTE

Respeito muito o torcedor e acho mesmo que qualquer um deles tem o direito de ser refém emocional, que é justamente aquele que imagina tudo girar à sua volta e que seu clube é insuperável. Que seu time não ganhou porque o árbitro ajudou o adversário, que a história do futebol sempre começa e termina pela grandeza dos feitos de sua equipe, durante toda a sua existência ou por determinada época.
Estamos vivendo um desses momentos em que o emocional aflora tanto que é difícil se encontrar algum vestígio de racionalidade, de equilíbrio e de sensatez. Pode ser gente do povo ou doutor, o time de cada um não pode nem deve perder o campeonato. Mas nós, os cronistas, temos a obrigação de não perder o senso crítico. E na verdade, o quadrangular decisivo caiu, na sua penúltima rodada, em um labirinto muito intrincado.  Três (Vitória, Bahia e Conquista) têm ótimas chances e o outro (Itabuna), condições reais de levantar a taça.
O Conquista, que atualmente é o terceiro colocado, com 5 pontos, só depende dele, porque ainda joga contra os dois da capital, Vitória e Bahia, que estão com 7 pontos. Basta ganhar os dois jogos e, com 11 pontos, é o campeão. Vitória e Bahia dependem de conjugação de resultados e até de critério de desempate. Porque se os dois ganharem os jogos que lhe restam, como não se enfrentam mais, terão que fazer as contas do saldo e do número de gols marcados. Porque chegarão a 13 com o mesmo número de vitórias.
Situação mais difícil é a do Itabuna, que precisa ganhar os dois jogos e torcer para que Vitória e Bahia empatem contra o Conquista. Aí os grapiúnas iriam a 9 pontos com três vitórias, Bahia e Vitória apenas a 8 e o Conquista ficaria com 7 pontos. Portanto, também tem chances e o mundo não se acabaria se isso ocorrer.
O que se vê, portanto, é um campeonato que já parecia encaminhado para o Fazendão, muito indefinido, com todos lutando pelas suas chances. Acho até que a última rodada é que vai definir tudo. Mas alguns aspectos têm que ser antecipados – e um deles é que quem perder nesta rodada do Dia do Trabalhador, dá adeus. Até mesmo Bahia ou Vitória, que dividem a liderança em pontos ganhos.
Outros aspectos: o Bahia, que sempre foi o grande favorito, desde que o campeonato começou a mostrar quem era quem, negócio de quinta rodada inicial, não pode repetir os erros do último domingo. Deixou que o Vitória se apoderasse do seu estilo compacto, de marcação na saída da defesa adversária, de contragolpes rápidos e mortais. O Vitória, desta forma, precisa mostrar que não foi uma melhora repentina e efêmera, mas que tem condições de manter a boa recuperação nas rodadas que restam.
Sobre os times do interior, é fundamental que o Conquista volte a jogar o futebol que tanto encantou até os adversários e o Itabuna mostre que a reabilitação da última rodada não foi mero triunfo de ocasião. Porque essas questões estão sendo levantadas desde que o clássico de Feira terminou, em que o Vitória ganhou por 3x0.
Ficaram no ar algumas perguntas que esta quinta-feira deve responder: o triunfo esmagador e inquestionável teria sido por obra e graça da imprevisibilidade de ser um clássico ou realmente o Wagner Mancini encontrou a formação ideal e a pegada correta para o seu time? A desastrada atuação da defesa tricolor teria sido um mero acidente de percurso ou o time sentiu o peso e a pressão de ser o maior favorito ao título?
Só mesmo eles, jogadores e técnicos, poderão responder neste 1º de Maio, quando a gente fica sabendo quem realmente tem chances de disputar o pódio até o último momento.

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