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Marca Bahia Notícias Holofote

Coluna

TEMPERATURA MÁXIMA

Quem diria que o campeonato ia chegar à sua penúltima rodada do quadrangular final com os quatro clubes rigorosamente no páreo? Nem Madame Beatriz. Porque os inesperados resultados do final de semana (Itabuna 3x2 Conquista e Bahia 0x3 Vitória) deixaram a decisão emocionante. Até o Itabuna, que é o último colocado, agora com três pontos, ainda pode levantar a taça no domingo.
Não é preciso muito esforço para se entender: basta o Itabuna ganhar de Bahia e Vitória e os outros dois jogos – Conquista x Vitória e Bahia x Conquista terminarem empatados. Aí, Vitória e Bahia que têm 7 pontos chegam a 8, o Conquista, atualmente com 5 vai a 7 e o Itabuna, com essas duas hipotéticas vitórias, assume a ponta definitiva com 9 pontos e 3 vitórias, chegando ao sonhado título de campeão. Naturalmente, a rodada do Dia do Trabalhador, na quinta-feira, vai dizer o que realmente poderá ser necessário no domingo para cada equipe.
Outra vez, o futebol nos dá uma grande lição, pelo menos uma lição muito pessoal, pois antes dos jogos começarem eu entendia que havia dois grandes favoritos: o Conquista, mesmo jogando em Itabuna, e o Bahia, que recebia o eterno rival Vitória, em Feira de Santana, com todo cenário favorável e programado para gritar um grito de quase campeão.
Não, não foi imprevidência não, foi apenas respeito ao próprio histórico do campeonato. O Conquista era realmente o favorito, depois de tantas façanhas e de visitar um time que não havia amealhado um pontinho sequer. Levou ferro. O Itabuna fez prevalecer o mando de campo, jogou de fato como time finalista. Três a dois, sem direito a qualquer contestação.
No Jóia da Princesa a maior de todas as surpresas. Ainda humilhado pela acachapante goleada do Barradão, seu Santuário de revelação de craques e de conquista de títulos, nem de longe se poderia pensar no que aconteceu. Ademais, logo que os repórteres informaram a escalação rubro-negra com substanciais alterações, a ponto de parecer uma equipe estranha, vinda de outro centro esportivo, tal a quantidade de caras novas promovidas pelo pressionado e quase demitido Wagner Mancini: França, Marco Aurélio, Leonardo, Anderson e Fernando; Renan, André Silva, Marco Antônio e Ramon Menezes; Rodrigão e Marquinhos. O Bahia, não, só não podia contar com Elias, um grande desfalque, mas trazia praticamente a sua ótima estrutura de um time que vencera os três clássicos anteriores, sem deixar dúvidas de sua superioridade: 2x0, 1x0 e 4x1. E os dois melhores resultados na casa do inimigo, sem dó e compaixão! 
Só mesmo um rubro-negro excessivamente apaixonado ou sem o mínimo de senso crítico poderia antever o que ocorreu. No início até que o Vitória parecia mais nervoso, mais perturbado, tanto que o Rodrigão levou um cartão amarelo, em falta cometida sobre o Ávine, que deu uma de suas costumeiras cambalhotas, parecendo que estava de canela quebrada.
Mas o time da Toca foi se assentando, sua defesa mostrando segurança, zaga compacta, Rodrigão prendendo os zagueiros tricolores, Marquinhos e Ramon fazendo ótimas jogadas de aproximação, Renan, André Silva e Marco Antônio se firmando a cada momento, em um meio-campo de firme marcação e eficientes passes para o ataque. O líder e favorito em contrapartida errava muito: por não marcar o Vitória na saída de sua defesa, como ocorreu no Barradão e pelas falhas individuais de um de seus mais destacados jogadores, o zagueiro Alysson.
E o Vitória foi construindo uma goleada que, no final das coisas, nem as reclamações do eficiente Paulo Comelli puderam sufocar. Porque foi um troco dentro dos conformes que um clássico exige: na mesma medida de superioridade e eficiência do seu adversário, oito dias antes.
E eu, que afirmei o Bahia como favorito e quase campeão antes do jogo de Feira, só tenho a saída de, ao reconhecer o fracasso de minha previsão, dizer que quem ganha é o campeonato que agora tem uma decisão em temperatura quente.
Com todos rigorosamente no páreo e uma incerteza que apenas serve para realçar os encantos do futebol.

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